O réquiem de um dia como qualquer outro

Definitivamente deveria estar dormindo, ou ao menos escutando algo melhor do que a última música do Jaden Smith.

Hoje o dia no trabalho foi deveras cansativo e estressante, como de costume. Tenho cerca de dez dias na empresa e diariamente passo por situações de pura pressão, onde meus nervos são testados do momento que entro, até o minuto que saio. É como se estivessem tentando forjar diamantes ali dentro. O que não acho ruim, mas devo admitir, que o processo é muito penoso.

Sou confeiteiro, em inicio de carreira, mas que ainda assim já penei bastante em minha vida profissional. Acabei arrumando emprego em um lugar grande, com pessoas viajadas ao meu lado, média de idade de 25 anos, boa parte do time é muito comprometido e quem está a nossa frente é uma chef talentosa e muito exigente. Hoje mesmo ela me deu uns três puxões de orelha que doeram no fundo do peito, fora outras ocasiões em que, sem levantar a voz ou xingamento, quase me fez chorar. Exagero? Não! Conversando com amigos de trabalho, chegamos a essa conclusão, afinal todos já haviam passado por isso.

As vezes me pergunto “porque estou aqui?” afinal, existem momentos do meu dia em que questiono todas as decisões que me trouxeram até aqui. Talvez seja uma condição que acompanha o inicio de qualquer carreira, ou pode ser a solidão que me acompanha pelas ruas do Butantã, ou até mesmo o sentimento saudosista que acompanha certos elementos de minha vida que deixei para trás. De qualquer forma, sigo em frente, levando muita pressão e tentando segurar o rojão que eu mesmo inventei de acender.

Antes de ir gostaria de deixar registrado. Estava conversando com uma amiga essa semana, e fui explicar um pouco das dificuldades que todo cozinheiro acaba enfrentando, e não pude deixar de reparar no quanto ela ficou surpresa com o que disse. Amanhã pretendo fazer um post falando um pouco a respeito, acredito que vai resultar em algo legal  : )

No mais, estou indo descansar, amanhã promete tanto quanto hoje.

Escrito ao som de:

 

Claque

Esses dias estava bem feliz por conta de alguns acontecimentos, e decidi passar em um Starbucks. Bem, decepção define, afinal tudo era um tanto sem graça, além do atendimento que deixou a desejar, porém o mais engraçado é que nesse exato momento voltei a outra unidade da rede. Estou sentado, luz direta sob o celular, me ponho a escrever.

Estava comentando com I., o quando sou patético por criticar tanto esse lugar, sendo que agora, poucos dias depois, estou de volta, gostando. “Ah velho, mas você pode mudar de opinião”, pois é, mas deixa eu explicar, não se trata de mudar de opinião. To aqui sentado, me sentindo uma blogayra de filme, com celular em punho e e nariz empinado, desferindo “canetadas” a torto e a direito. Percebe a diferença? O que me agrada é o ‘mise en scene”, o teatro que existe por trás disso aqui.

Café eu tomo em casa ou em outro canto, aqui eu escrevo e amacio meu ego.

Andando por SP nos últimos dias, fui comer em alguns lugares, e chega a ser engraçado o quanto esse teatro se faz presente em meu ramo de atuação. Já vi cada megalomania dentro de salões de restaurantes, que chega a ser curioso, afinal, já pensou em comer ao lado de uma girafa empalhada? Pois é.

Bom, cada um dá a cartada que lhe convém, enquanto isso caminho por essas ruas observando as pessoas no metrô, sentindo o fedor do Rio Pinheiros e afiando meu olhar para algumas pequenezas que me interessam.

 

Escrito ao som de:

Guia do café: Métodos de extração (pt.1)

Final de tarde, hora de tomar aquela xícara de café quente, ou gelado, não é?

Aqui onde moro acabou de ser agraciado com um belo dia de chuva, e com o embalo desse clima aconchegante venho dar continuidade àquela séria de posts, dessa vez explanando, por alto, alguns métodos de extração.

Aconselho que leiam meu outro post sobre café, que introduz alguns cuidados que são fortemente aconselhados na hora de preparar uma xícara da bebida.

https://smokeinairplanes.wordpress.com/2017/09/22/6-passos-para-um-otimo-cafe/

 

Prensa Francesa

A prensa clássica proporciona uma excelente bebida. Simples e rápida, ela infunde a água e o café juntos; depois, o filtro de malha empurra o pó e o separa dos óleos essenciais e das partículas mais grossas, o que ainda resulta em uma textura particular, devido as partículas finas em suspensão na bebida. Devido a ausência de filtragem por gravidade ou pressão, seu tempo de infusão deve ser mais prolongado, variando de quatro a cinco minutos. Também aprecio a prensa francesa por possibilitar que se sirvam várias pessoas de forma de forma charmosa e elegante, afinal a própria cafeteira, assim como a Chemex, serve como jarra de serviço.

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Prensa Francesa

 

Filtro de Papel, pano, Chemex, V60.

A filtragem por meio de papel, ou pano, é sem dúvidas o método mais popular no Brasil, por ser limpo, descomplicado e consequentemente prático. Nele o pó fica disposto no equipamento de filtragem e logo em seguida é rapidamente infusionado com a água, resultando em uma bebida de corpo leve. Nele as partículas do pó são inteiramente separadas do líquido, ideal para quem se incomoda com a famosa “borra”.

É importante salientar a diferença entre a filtragem por papel e pano, por mais que seja sútil. A principal diferença se dá por conta dos micro furos que existem entre as malhas do tecido e os que são propositalmente feitos no papel, podendo variar dependendo da marca e modelo. Na prática os óleos essenciais conseguem atravessar com muito mais facilidade as tramas do tecido, enquanto no papel esse processo é mais difícil, não que seja inexistente. A presença ou não dos óleos tornam a bebida mais ou menos densa, chegando a ficar mais aveludada com óleos. Além de que alguns apreciam bastante o gosto residual que o próprio coador confere a bebida.

 

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Hario
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Chemex

 

Aeropress

Inventada em 2005, pelo engenheiro mecânico Alan Adler, o método vem se popularizando nas cafeterias ao redor do país. Rápida e higiênica, a AeroPress prepara desde cafés à moda de filtro até um mais forte e concentrado, que pode até mesmo ser diluído depois de pronto. Parece uma seringa gigante, de funcionamento bem simples. Nela o café é misturado com água fervida separadamente, é pressionado pelo êmbolo e extraído através de um filtro de papel que se encontra em sua base. A combinação de filtragem rápida e pressão, ajuda a extrair melhor os óleos essenciais e açúcares do café. Ao mesmo tempo, evita a extração prolongada da cafeína e de outros componentes que conferem amargor à bebida.

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AeroPress

 

Mocha ou Cafeteira Italiana

Conhecida por Moka Pot, Mocha ou Cafeteira Italiana, esse método funciona por pressão de vapor, o que confere uma textura muito semelhante a do expresso. Nesta cafeteira existem dois compartimentos que se comunicam por um filtro de metal perfurado, localizado na parte central. O café moído é colocado na parte superior, enquanto a água fica na parte inferior do equipamento. Coloca-se a cafeteira no fogo e, com o aquecimento, há a passagem da água sob pressão de vapor, para o compartimento superior, através do café. Indicado para aqueles que preferem uma bebida mais intensa ou preparo de bebidas lácteas.

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Cafeteira Italiana/ Mocha.

Bom, esses são somente alguns dos métodos, e logo menos posto a segunda parte com mais alguns. É importante ressaltar que usei como base, além do que aprendi nos últimos anos, os excelentes livros “O livro do Café – Publifolha” e o “Chefs: Café – Melhoramentos” para escrever esse post. Indico fortemente ambos os livros para aqueles que querem se aprofundar nos estudos do café.

 

Até a próxima.

 

Escrito ao som de: Post Malone – Congratulations ft. Quavo

 

Memória fotográfica – comida

Estava aqui no job, sentado e observando a chuva chegar, quando de repente viajo para algumas boas memórias.

Estou com o celular em punhos para compartilhar este pequeno relato, e o mais engraçado é que um amigo de trabalho, chileno, não para de conectar um assunto atrás do outro. Confesso que precisei fugir daqui, mesmo que em pensamento.

Estava lembrando da casa de meus pais e outras situações, e do quando me divirto com pequenas coisas, seja brincando com um monte de temperos, ralando milho seco para polenta ou satisfazendo minha mania de organização.

Meu pai havia chegado com um saco cheio de milho de nossa fazenda. Porque? Não sei, ele é um sujeito impulsivo. Acabei guardando algumas espigas para testes. Bom, dias se passaram e em uma tarde de terça feira, quase noite na verdade, acabei me entretendo bastante com um teste para polenta que acabei executando. Ainda lembro muito bem do gosto adocicado daquela que foi a melhor polenta que já comi.

Foto tirada em Fevereiro de 2017
Coquetelaria também é uma grande paixão que alimento secretamente. A senhora minha mãe não é chegada em bebidas, mas aos poucos ela vai entendendo que por trás de cada garrafa existe uma bela história, com métodos de extração, tradição, trabalho árduo e muita paixão. A foto a baixo foi de um treinamento rápido que dei aqui para os colaboradores do trampo.

Foto tirada em Agosto de 2017
Ainda nessa pegada de bebidas, a foto a baixo foi tirada em um momento muito divertido do meu antigo Job, onde a barman da casa precisava de alguns ingredientes para a elaboração da nova carta de drinks, e embalado em meus estudos na área e conhecimento de cozinha, acabei elaborando um bitter de hibisco, que não saíram na foto. No momento em que tirei essa foto, estava prestes a tostar essas especiarias para liberar os olhos essenciais de casa uma. Ainda lembro da diversão e o cheiro que tomou conta de todo o estabelecimento.

Foto tirada em Junho de 2017

Minha relação com a cozinha foi construída essencialmente sob dois pilares, a curiosidade infantil que sempre me moveu e o carinho que tenho pela comida, vindo principalmente de minha mãe. Ainda lembro bem quando tinha por volta de meus 13 anos e ela me chamaram na cozinha, dizendo “filho, vou te ensinar a cozinhar, porque um dia vai ser de grande ajuda, principalmente quando estiver morando longe de casa”. Pois é mãe, quem diria que aquele pequeno momento, às onze da manhã de um dia qualquer perdido em 2007 mudaria tantas coisas por aqui.

Escrito ao som de: Skrillex & Poo Bear – Would You Ever

A era do chafé!

Moe, infusiona, serve. Ficou bom? Hmm sim, mas está fraco!

Estou sentado em frente de casa, vendo o sol se pôr e tomando um café com queijo (combinação maravilhosa e que indico a todos) e pensando no quanto o gosto é uma construção social praticamente inquebrável.

Veja bem, por mais que a vida dê inúmeras voltas, grandes mudanças aconteçam, alguns aspectos se mantém firme, afinal eles definem cada um de nós. Dentro desse grupo de valores os hábitos alimentares são os mais difíceis de serem quebrados. Maior prova dessa teoria é aquela vontade louca de comer um prato da infância, ou simplesmente do tempero da mãe, ou  pai. Certamente existe uma grande dose de memória afetiva envolvida nesses desejos, mas se olharmos mais a fundo, nossos hábitos alimentares são derivações diretas daquilo que nos acompanhou durante nosso desenvolvimento, principalmente no que diz respeito à infância.

Tendo isso em vista, é muito comum nos deparamos com certos pré- conceitos, ou antipatias, tais como “aí, não como espinafre!” ou “odeio jiló”, e o mais engraçado é ver que as pessoas se quer experimentaram o alvo do pré-conceito, ou se fizeram foi a muitos anos durante a infância e simplesmente desistiram. É engraçado pensar nisso, ainda mais quando se leva em consideração de que o paladar está em constante desenvolvimento durante a vida.

Bom, tendo explicado isso, gostaria de deixar minha sincera revolta ao termo “chafé”, afinal estamos totalmente condicionados àqueles cafés demasiadamente amargos, mais escuro que uma noite em Gotham, e sem graça alguma, que muitos adoçam até parecer mel e aguentam tomar. O bom café não necessita agredir o palato e te deixar baforando notas queimadas por horas, isso sem falar na acidez elevada, um perigo para qualquer estômago mais sensível.

Então assim, não venham com essa de chafé pra cima daqueles que amam dividir esse prazer com amigos e família, ou mesmo conhecidos. Tem paladar pra tudo, mas de vez em quando não custa dar uma chance e entender que experiências transcendentais podem estar apenas uma xícara de distância.
Escrito ao som de: James Brown – The Playback

6 passos para um ótimo café

Não é futebol, nem a música, a arte ou qualquer outro aspecto dos mais convencionais, sem dúvidas o que me faz orgulhar de ser brasileiro é o café!

Certas pessoas arrancariam meu fígado por falar dessa forma (beijo, I.),  mas de fato o que mais me traz orgulho nessas terras verde e amarela, são a qualidade do café que produzimos. Quando mais novo sempre ouvi a clássica frase ” produzimos muito café, mas o melhor exportamos e bebemos o resto”, bom pode-se dizer que aos poucos essa realidade começa a mudar.

Claro, não viramos o jogo porém é cada vez mais comum encontramos bons cafés em mercados, empórios e principalmente na internet. Pensando nisso decidi elaborar um pequeno guia, bem descomplicado, igual ao que fiz sobre vinho, dias atrás, aqui no blog, para isso aconselho os seguinte equipamentos: balança, moedor, cafeteira e celular com timer. Sendo assim, vamos lá 🙂

Escolha do grão

Digamos que você tenha chegado naquele mercadinho descolado que possui algumas variedades de cafés, porém qual daqueles belos pacotes levar para casa? Bem, analise primeiro qual método de extração você tem em casa.

Na maior parte dos lares brasileiros temos o imbatível coador, de pano ou papel. Sendo assim opte por filtros de boa qualidade, de papel mesmo e não de perfex (sim, já esbarrei com esses), que devem ser utilizados apenas uma vez, sendo escaldados* antes do preparo da bebida.

Bom, para cafés coados aconselho torras médias/ escuras, dependendo do seu gosto. Particularmente gosto muito de torra média para cafés coados, feitos no aeropress e na prensa francesa.

Prefiro deixar a torra escura para expressos, cafeteira turca, moka e cold brew.

Moagem

Café bom é café moído na hora! É, essa máxima faz muito sentido. Caso tenha certa preguiça de moer o próprio café em casa, aconselho testar e perceber o quanto essa comodidade que a industria nos proporcionou acaba com a complexidade e parte do prazer de degustar uma boa xícara da bebida.

Moer o café em casa implica em controlar a granulometria, o que resulta em uma bebida mais redonda, afinal cada método de extração age de uma forma sob as partículas de café. Além de resultar em um café mais aromático, afinal os óleos essenciais do café se perdem cerca de trinta minutos após a moagem.

Resumindo, moa seu café em casa, afinal isso resulta em uma bebida mais fresca e límpida. Para aqueles que devem estar pensando “ah, mas o moedor é caro!”, não é! Temos os mais variados tipos de modelos, que partem da faixa de R$ 120,00.

Pesagem 

“Lucas, você quer que eu compre moedor, e agora uma balança!?” Pois é, mas vá por mim, se seu apreço por essa bebida for um pouco acima da média tudo isso vai valer muito a pena.

A pesagem da água e do pó se faz primordiais para extrair a mais pura xícara de deleite, sendo assim, vá aquele mercado de nome francês e com R$ 30,00 você irá adquirir um dos itens que irá revolucionar a forma como cozinha.

Para o coado e prensado (aeropress ou prensa), gosto de utilizar 100g de água para 10g de pó, variando de acordo com o grão que estou usando. Veja bem, ultimamente estou tomando um grão de um produtor local, orgânico de notas chocolatadas e carameladas, sendo assim estou usando 12g de pó para 100g de água. Ouse e ache a proporção que mais lhe agrada.

Para aqueles que não querem usar a balança, aconselho a proporção 1:1:1, uma xícara de água (250ml), para 1 colher de sopa do pó de café e 1 colher de sopa de açúcar branco. Afinal, tem dias que você só precisa de um café rápido para acordar antes de correr para o trabalho.

Filtragem

Nesse momento o ponto mais importante é o tempo de filtragem, afinal não se deve deixar o café ali, nadando em água, pensando na vida e de como um dia fora uma bela cereja em alguma serra de Minas Gerais.

Para a prensa, gosto muito de pré infusionar por um minuto e depois infusionar por três minutos, prensando ele ao final desse tempo e armazenando em uma garrafa térmica.

No caso do coado, dou uma escaldada no filtro, em seguida coloco café, depois despejo água em fio para umedecer o pó, deixando repousar por um minuto, em seguida venho com a água despejando aos poucos, até infusionar tudo. A ideia é evitar despejar toda a água no grão.

Temperatura

A temperatura ideal para extrair um bom café coado ou prensado, gira em torno de 94°C e 97°C, mas como chegar nessa medida sem um termômetro? Bom, se você tiver um termômetro pode pular para o próximo, e último, tópico, mas caso engrosse a estatística dos que são desprovidos desse apetrecho, sente e vamos conversar.

Bom, existem várias formas de chegar nessa faixa de temperatura, mas para começar tenha em mente que água fervendo é inimiga do bom café, sendo assim, devemos evitar borbulhas excessivas em nossa água. A melhor maneira que encontrei de fazer isso, foi fervendo a água**, sem deixar as borbulhas demasiadamente grandes, depois desligo o fogo e espero um minuto contado no relógio, assim tenho minha água ideal.

Armazenamento

Armazene seu café em potes hermeticamente fechados, em locais frescos, longe da luz solar e arejados, isso deve melhorar bastante o tempo de prateleira de seus amados grãos 🙂

* escaldando filtro: basta dispor o filtro no suporte e jogar água quente nele. Este processo retira parte do gosto forte do papel e ajuda a fixar o filtro nas bordas do suporte, o que facilita o processo.

** água sempre filtrada

Existem muitos pontos que deixei de fora deste guia, afinal num da pra passar tudo de uma vez. Pretendo elaborar outros guias relacionados, como um específico sobre moagem/ torra e métodos de extração da bebida, mas fiquem a vontade para discutirmos nos comentários, ficarei muito feliz em trocarmos conhecimento.

 

Escrito ao som de: Lofi Hip Hop Radio 24/7

 

5 cuidados para beber um bom vinho.

Os mais observadores devem ter notado que atualmente uma das áreas mais bonitas e bem trabalhadas dos mercados é a sessão de vinhos. E para quem vai em busca desse produto, aquele ambiente se torna confortável , isso porque essa sensação tem um único e simples motivo; escolher o melhor vinho. E assim sucessivamente, ali passamos um tempo maior.

Não pretendo ser muito minucioso, afinal, existem momentos que só queremos sentar e beber, porém existem sim alguns cuidados que podem melhorar bastante a experiencia. Vamos a eles:

Preço

Para começar, vamos deixar claro que bons vinhos não precisam ser necessariamente os mais caros, existem bons produtos em todas as faixas de preço. Nesse aspecto a melhor dica que existe é ‘fique atento as promoções’. Muitas vezes encontrei vinhos de excelência por uma verdadeira pexinxa, com descontos que abatiam até 50/60% do preço. Um abraço para aquela rede de mercados com nome francês.

 Escolha

Bom, nesse aspecto entram muitas variáveis, mas gostaria de me ater principalmente aos tipos de vinho e classificação de uvas.

Primeiramente os tipos de uvas; dê preferência por vinhos que tragam a denominação “Elaborado com uvas viníferas ou viti viníferas”. Por quê? Bom, existem duas classificações para a fruta, as ‘uvas de mesa’ e as ‘viti viniferas’, sendo o segundo grupo ideal para elaboração da bebida.

Dica extra: evite vinhos que possuem adição de açúcar em sua composição. Vide ingredientes.

Armazenamento 

Neste aspecto a ideia é armazenar a bebida em locais frescos, arejados, longe do alcance dos raios solares e na posição vertical, afinal como muitos já sabem, isso evita o ressecamento da rolha.

Lucas, quais as implicações de uma rolha ressecada?

Basicamente vinho e oxigênio não se dão bem, então uma vez ressecada, a rolha cria micro fissuras que fazem o ar entrar em contato com a bebida, causando assim sua oxidação. Basicamente transformando o vinho em vinagre.

Temperatura

Aqui provavelmente temos a parte mais específica de todas, porém como poucas pessoas possuem termômetro para vinho em casa, seremos práticos. Entretanto tenham em mente que a temperatura está ligada a leveza da bebida, sendo os espumantes servidos mais frios, em seguida dos vinhos brancos, roses e por último tintos.

Como é de senso comum, as moléculas olfativas se desprendem por conta do aumento da temperatura, e por serem bebidas mais complexas, não é indicado que se sirva gelado.

Equipamentos

Aqui vou indicar apenas dois equipamentos envolvidos no ritual do vinho. Taça e abridor de garrafas. Podem parecer indicações óbvias, afinal não dá para abrir a garrafa com a força do pensamento e beber com as mãos, mas ouça o que tenho a dizer.

Taças:

São dois tipos que indico, a taça Bordeaux, de haste alongada, bojo menos avantajado e mais cumprido, ideal para vinhos roses, brancos e tintos. A segunda taça é a flute, feita especialmente para espumantes, pois nela se observa a perlage (borbulhas) da bebida com mais facilidade.

Abridor:

Existem três tipos de abridores; o saca rolhas, abridor de dois tempos e o abridor com asas. Indico o segundo, abridor de dois tempos. Afinal, o primeiro e o terceiro não são muito práticos, um deles é muito grande e o outro não possui apoio.

O abridor de dois tempos compila em um único dispositivo a lamina para abrir o lacre da garrafa, saca rolhas, o apoio em duas fases, daí o nome, para abrir a bebida sem muito esforço e alguns ainda possuem abridores de garrafa, para aquela noite que você optou por uma cervejinha, isso tudo por apenas alguns poucos centímetros e preço bem justo.

 

Bom, como minha última dica vou linkar um cd que me acompanhou em muitas garrafas. Saúde!

Unidos!

Ontem, dia 15 de setembro de 2017, abertura do Rock in Rio, os agentes da vigilância sanitária invadiram o estande da chef Roberta Sudbrack no evento e decretaram que toda a charcutaria e os queijos brasileiros da melhor qualidade, estavam fora dos padrões exigidos pelo evento, e sem bom senso ou pudor, descartaram mais de 80kg de queijo dentro da validade, assim como 80kg de linguiça fresca previamente aprovada pela organização do evento.

Confesso que ao me deparar com o ocorrido, fiquei totalmente sem reação, afinal estava vendo um dos shows do festival, via stream, e sei lá cara,  bateu um desapontamento e todo o tesão pelo festival morreu instantaneamente.

Pensa comigo, todos esses produtos são inspecionados por seus respectivos estados de origem, e segundo a própria chef, também passarem por avaliação prévia do evento, afinal os organizadores não podem deixar qualquer coisa ser servida em um evento desse calibre. Entre idas e vindas, da pra ver que os insumos em questão tinham ótima procedência, confiabilidade e já estavam aprovados, mas parece que um pormenor burocrático, a falta de um carimbo, resultou nesta truculência. De fato, pura burocracia, afinal convenhamos, o que seria vendido já tinha certificação mais que necessária para ser comercializado.

Outro ponto a ser levado em consideração, é que a própria Roberta é um dos principais nomes da gastronomia Brasileira, reconhecida internacionalmente, proprietária de inúmeros negócios no ramo de alimentação, dos mais variados tipos, e ainda por cima atua no próprio Rio de Janeiro, ou seja, não estavam lidando com uma desconhecida ou amadora, o próprio trabalho dela fala por si só. Tudo bem, se isso não te convenceu, você há de convir que a forma como a situação se desenrolou, não foi nem de perto a mais amistosa, afinal além do dano material e falta de ética, a gastronomia brasileira teve a própria dignidade diminuída.

A chef encerrou as atividades no Rock in Rio, e entrou com uma liminar na justiça para recuperar o restante dos produtos em perfeito estado, para que ao menos possa doar a quem precisa. Em solidariedade inúmeros cozinheiros de peso como Alex Atala, Thiago Castanho, Emmanuel Bassoleil,  Onildo Rocha, Manu Buffara e tantos outros manifestaram solidariedade e apoio ao que aconteceu com nossa colega de profissão.

Talvez fosse melhor trocar os produtos artesanais de pequenos produtores por embutidos da Seara, Friboi e lácteos da Vigor, afinal, nesses sim podemos confiar.

(foto dos produtos compartilhada pela própria Roberta S.)

 

Escrito ao som de: Coeur de Pirate – Comme Des Enfants (Le Matos Andy Carmichael Remix)

Link: https://youtu.be/nWrU4We1Nq8

O todo poderoso

Felicidade é; final de tarde, calmaria, minha caneca preferida e uma garrafa de café.

Bom, desde muito pequeno aprendi a gostar de café puro, preto, pois minha intolerância a lactose não perdoava. Em minha família alguns hábitos eram sagrados, como o lanche de final de tarde regado a café, misto quente e bolos, sempre feitos por minha mãe, em grandes tabuleiros, e os quais se tornaram um outro grande amor, o qual discorrerei em outra oportunidade.

O ponto é que a bebida amarga sempre simbolizou um ritual ao longo de minha vida. Era o momento em que tudo parava, sentávamos à mesa e uma áurea de calmaria se formava ao nosso redor. Quando morava com meus pais nunca encarei o momento dessa forma, mas conforme me afastei do ninho, percebi que esse ritual ficou impresso em minha identidade, o que acabei transportando para todos os lugares que passei; a república que morei com amigos em Natal, a casa de meus tios em Brasília, meu apartamento na mesma cidade e agora aqui, em Minas Gerais.

No último ano passei a encarar a bebida, e tudo que a cercava, como um potencial estilo de vida e modelo de negócio. “Porque não transformar minha aptidão em uma forma de faturar uns trocados?”, pensava. Eis que comecei a pesquisar/ experimentar grãos, métodos de infusão, tipo de adoçantes, equipamentos, história e eventualmente cursos.

Estou longe de ser um barista, mas pretendo chegar nesse patamar, e algum dia, quando olhar para trás junto de meus pais, tomando café naquela mesma mesa de granito que testemunhou o surgimento de uma de minhas paixões, vamos rir bastante das dificuldades daquele passado longínquo.

 

Ps: algum dia pretendo elaborar um compilado sobre o grão, métodos e curiosidades 🙂

 

Escrito ao som de: Bag Raiders – Shooting Stars

Link: https://youtu.be/feA64wXhbjo

Ninho com Nutella vs o Mundo

Ninho com nutella, praticamente uma praga no mundo doce atual.

Confesso, sou um grande apreciador de doces, por assim dizer, porém nos últimos dois/três anos, venho notado que um ‘sabor’ em específico vem dominando o mercado de doces em geral, o controverso leite ninho com nutella.

Mesmo gostando bastante de doces, esse sabor 100% industrial nunca me ganhou o coração, afinal como pode a nutella e o leite ninho serem elevados ao status de ingrediente? Certamente isso é um reflexo do mundo que vivemos, e do quanto o paladar pode ser infantilizado. Posso parecer um caga regra ao dizer isso, mas convenhamos, não existe complexidade, nuances, variações ou qualquer aspecto minimamente interessante nesses dois sabores.

Não estou dizendo que devemos abominar esses sabores, afinal eles são bons para alimentar, com as devidas ressalvas, obviamente.

É muito divertido explorar o mundo dos sabores, mas é sempre bom começarmos a olhar de forma crítica alguns hábitos alimentares, mesmo que bobos. Não precisa parar de comer picolé, torta, pavê, bolo, pastel, docinho de festa, milkshake ou qualquer outro produto que conseguirem enfiar esse sabor, mas tente ao menos intercalar com algo verdadeiramente genuíno.

 

Escrito ao som de: French Montana – Unforgettable ft Swae Lee

Link: https://youtu.be/CTFtOOh47oo