Unidos!

Ontem, dia 15 de setembro de 2017, abertura do Rock in Rio, os agentes da vigilância sanitária invadiram o estande da chef Roberta Sudbrack no evento e decretaram que toda a charcutaria e os queijos brasileiros da melhor qualidade, estavam fora dos padrões exigidos pelo evento, e sem bom senso ou pudor, descartaram mais de 80kg de queijo dentro da validade, assim como 80kg de linguiça fresca previamente aprovada pela organização do evento.

Confesso que ao me deparar com o ocorrido, fiquei totalmente sem reação, afinal estava vendo um dos shows do festival, via stream, e sei lá cara,  bateu um desapontamento e todo o tesão pelo festival morreu instantaneamente.

Pensa comigo, todos esses produtos são inspecionados por seus respectivos estados de origem, e segundo a própria chef, também passarem por avaliação prévia do evento, afinal os organizadores não podem deixar qualquer coisa ser servida em um evento desse calibre. Entre idas e vindas, da pra ver que os insumos em questão tinham ótima procedência, confiabilidade e já estavam aprovados, mas parece que um pormenor burocrático, a falta de um carimbo, resultou nesta truculência. De fato, pura burocracia, afinal convenhamos, o que seria vendido já tinha certificação mais que necessária para ser comercializado.

Outro ponto a ser levado em consideração, é que a própria Roberta é um dos principais nomes da gastronomia Brasileira, reconhecida internacionalmente, proprietária de inúmeros negócios no ramo de alimentação, dos mais variados tipos, e ainda por cima atua no próprio Rio de Janeiro, ou seja, não estavam lidando com uma desconhecida ou amadora, o próprio trabalho dela fala por si só. Tudo bem, se isso não te convenceu, você há de convir que a forma como a situação se desenrolou, não foi nem de perto a mais amistosa, afinal além do dano material e falta de ética, a gastronomia brasileira teve a própria dignidade diminuída.

A chef encerrou as atividades no Rock in Rio, e entrou com uma liminar na justiça para recuperar o restante dos produtos em perfeito estado, para que ao menos possa doar a quem precisa. Em solidariedade inúmeros cozinheiros de peso como Alex Atala, Thiago Castanho, Emmanuel Bassoleil,  Onildo Rocha, Manu Buffara e tantos outros manifestaram solidariedade e apoio ao que aconteceu com nossa colega de profissão.

Talvez fosse melhor trocar os produtos artesanais de pequenos produtores por embutidos da Seara, Friboi e lácteos da Vigor, afinal, nesses sim podemos confiar.

(foto dos produtos compartilhada pela própria Roberta S.)

 

Escrito ao som de: Coeur de Pirate – Comme Des Enfants (Le Matos Andy Carmichael Remix)

Link: https://youtu.be/nWrU4We1Nq8

DEVOLVE AÍ IRMÃO!

Se sair de casa sem celular me faz sentir nú, imagina só quando alguém começa a explorar minha intimidade móvel sem consentimento prévio, me sinto assediado!

Talvez assédio seja uma palavra meio forte, mas convenhamos, todos sentem aquela pontada no peito ao entregar o celular na mão do coleguinha para ele ver X, e quando você se dá conta ele está vendo Y, Z, perigando trombar até com aquele nude enterrado nos confins da bendita galeria de fotos.

Estava conversando com uma amiga, e papo vai papo vem, esse assunto acabou surgindo, logo minha cabeça começou a trabalhar nessa relação que existe entre intimidade x celular. Claro, existem dois tipos de pessoas, as que usam o aparelho como uma simples ferramenta, usada de vez em quando, e aqueles que usam o celular como um espécie de compilador de toda a sua vida, e gostaria de admitir que pertenço a esse segundo grupo, afinal se parar para pensar, boa parte da minha existência nos últimos meses está sintetizada naquele pequeno aparelho.

Sabe, não é como se tivesse recheado de gente nua e sexo selvagem, mas meu celular tem bons momentos de minha intimidade, tipo aquelas fotos da galera, marmanjos entre 21/24 anos, brincando em um parquinho em plena madrugada, ou foto de umas comidas feias que faço, fotos de minha família no cotidiano, prints de coisas bobas que vejo no Instagram e mais uma série de bobeiras que são importantes para minha pessoa, as quais se eu não estiver na vibe, vou proteger dos olhos alheios com unhas e dentes. Basicamente o que todo mundo faz, exceto a galera que é usuário ativo do Tinder.

 

Escrito ao som de: RICE BALLS – Pink Guy

Link: https://youtu.be/LeMVDuIO3J0

 

O todo poderoso

Felicidade é; final de tarde, calmaria, minha caneca preferida e uma garrafa de café.

Bom, desde muito pequeno aprendi a gostar de café puro, preto, pois minha intolerância a lactose não perdoava. Em minha família alguns hábitos eram sagrados, como o lanche de final de tarde regado a café, misto quente e bolos, sempre feitos por minha mãe, em grandes tabuleiros, e os quais se tornaram um outro grande amor, o qual discorrerei em outra oportunidade.

O ponto é que a bebida amarga sempre simbolizou um ritual ao longo de minha vida. Era o momento em que tudo parava, sentávamos à mesa e uma áurea de calmaria se formava ao nosso redor. Quando morava com meus pais nunca encarei o momento dessa forma, mas conforme me afastei do ninho, percebi que esse ritual ficou impresso em minha identidade, o que acabei transportando para todos os lugares que passei; a república que morei com amigos em Natal, a casa de meus tios em Brasília, meu apartamento na mesma cidade e agora aqui, em Minas Gerais.

No último ano passei a encarar a bebida, e tudo que a cercava, como um potencial estilo de vida e modelo de negócio. “Porque não transformar minha aptidão em uma forma de faturar uns trocados?”, pensava. Eis que comecei a pesquisar/ experimentar grãos, métodos de infusão, tipo de adoçantes, equipamentos, história e eventualmente cursos.

Estou longe de ser um barista, mas pretendo chegar nesse patamar, e algum dia, quando olhar para trás junto de meus pais, tomando café naquela mesma mesa de granito que testemunhou o surgimento de uma de minhas paixões, vamos rir bastante das dificuldades daquele passado longínquo.

 

Ps: algum dia pretendo elaborar um compilado sobre o grão, métodos e curiosidades 🙂

 

Escrito ao som de: Bag Raiders – Shooting Stars

Link: https://youtu.be/feA64wXhbjo

Sugestão: Entre Planos

Cansado de sentir vergonha ao abrir a aba “em alta” do youtube? Pois é, eu também!

Desde que saí de casa, no início de 2013, descobri o youtube com seu verdadeiro potencial, e logo virei um consumidor extremamente ativo do conteúdo do site do “play vermelho”. Nos últimos anos testemunhei a ascensão de inúmeros canais, bem como o declínio de alguns.

O ponto é que nesse meio tempo, também vi ótimos canais nunca atingirem o grande público, então minha ideia é de postar algumas sugestões de ótimos produtores de conteúdos do ‘você tubo’.

Gostaria de começar com o Entre Planos, um canal que descobri recentemente e em pouquíssimo tempo consumi todo o conteúdo. Nele, Max Valarezo explana sobre os mais diversos conteúdos ligados a sétima arte, de forma crítica, analítica e muito bem estruturada, passando por temas como rimas visuais, o pós-terror, como usar a narração em filmes, filmes superestimados (segundo o apresentador) e uma gama de tópicos, específicos ou não, que expandem a forma com que o espectador encara o mundo do cinema.

Atualmente o canal possui 81 mil inscritos e está no ar desde 6 de junho de 2015.

Um de meus vídeos favoritos do canal: ‘Hayao Miyazaki: A Importancia do Vazio”

Link: https://youtu.be/Kyp3YV2t0gQ

 

Escrito ao som de: Bloc Party – Skeleton

Link: https://youtu.be/Gz0tk_p45eo

 

Essa viagem está turbulenta demais, velho!

Abri essa caixa de texto com o intuito de discorrer sobre minha paixão por café, seus métodos, manejo e cenário atual da cafeicultura brasileira, mas quem liga pra essas coisas quando começamos a conversar sobre os tempos de escola com os amigos, não é?

Toda aquela conversa, e um papo que tive mais cedo com minha mãe e minha namorada, através do whatsapp (zibirízóp segundo um grande amigo), me fizeram pensar sobre a situação que vivo hoje. Parece que estou em uma espécie de limbo existencial, onde os tempos de estudo são uma mera lembrança, e os tempos de profissão ainda estão por vir. Não é como se estivesse sem trabalhar, mas ainda é algo que está em construção, sabe?

Todo ser humano tem seus altos e baixos, e confesso que estou numa fase que ainda nem sei como classificar. Penso que certamente terei de me afastar bastante para analisar de forma mais minuciosa e eficaz, o que diabos aconteceu.

Bom, estar no meio do caminho é uma posição um tanto quanto frustrante, afinal você não é o que costumava ser, nem tão pouco é aquilo que almeja, mas me pergunto em que momento entrei nesse ‘gap’. Aproveitar a viagem é mais importante do que chegar a um determinado destino, sempre acreditei nisso, porém a vida deveria maneirar e me jogar ao menos, em uma poltrona na janela nessa viagem. Ah! Também avisa pra o piloto evitar grandes turbulências, se possível, porque o resto a gente resolve.

 

Escrito ao som de: Lofi hip hop radio 24/7 by Chillhop Music

Link: https://youtu.be/hX3j0sQ7ot8

 

O que aconteceu com One Piece?

Hoje cedo estava conversando com um grupo de amigos e chegamos a conclusão que One Piece está dando seus últimos respiros!

Desde sempre acompanhei vários animes, e lembro que por mais que acompanhasse animes que levavam anos para acabar, me mantive fiel apesar dos apesares, porém uma das animações japonesas que mais me marcou nos últimos anos, está deixando um gosto amargo na boca. One Piece fez seu vigésimo aniversário em 19 de julho deste ano, porém muito fora modificado nos últimos anos, o que em minha opinião, fez a qualidade geral da obra cair bastante.

A última vez que realmente levei a sério os fatos desse desenho de lutinha, como minha mãe adora chamar, foi no arco em que o Kuma separa os mugiwara, em uma cena de puro desespero envolvendo a tripulação. Porém antes disso a obra já mostrava sinais de defasagem, afinal muitas sagas usavam a mesma estrutura: lugar desconhecido, tripulação separada, grande ameaça, motivação simples para enfrentar essa mesma ameaça, muitas vezes foi por conta de uma amizade, metade da saga se passa indo de um ponto ao outro, e no final o Ruffy derrota o vilão.

Esses dias fui dar um confere para ver como anime estava, e me deparei em uma batalha do Ruffy contra o Cracker, oficial da Big Mom, e me desculpe, a animação estava porca. Não vem dizer que é por conta da excentricidade do universo fantástico do Oda, estava ruim mesmo. Lembro muito bem que por cerca de três minutos não consecutivos, rodaram uma mesma animação em loop do vilão desferindo goles de espada contra os mocinhos. Ah desculpa, mas parece que a produtora imagina que os fãs sejam idiotas, só pode.

Como sou teimoso, e saudosista, fui queimar uns neurônios atrás de dar sentido para o que estava acontecendo, e acabei chegando a seguinte conclusão: One Piece está a tantos anos no ar que precisava abocanhar um novo mercado etário, logo foram postas em prática uma série de diretrizes que ao longo dos anos, mudaram os eixos da obra. Mais ou menos o que Dragon Ball Super está fazendo, a diferença é que o Piece fez isso ao longo dos anos. Uma pena pra mim.

 

ps: nem vem com aquela de “ah, mas você cresceu e com isso os interesses mudaram” porque até hoje sou doido por desenho de bonecos do olhão, classificação que minha mãe deu aos animes. Beijo mãe! 😀

 

Escrito ao som de: One Piece opening 11 – Share the world!

Link: https://youtu.be/AUilDOB9SGQ

Ninho com Nutella vs o Mundo

Ninho com nutella, praticamente uma praga no mundo doce atual.

Confesso, sou um grande apreciador de doces, por assim dizer, porém nos últimos dois/três anos, venho notado que um ‘sabor’ em específico vem dominando o mercado de doces em geral, o controverso leite ninho com nutella.

Mesmo gostando bastante de doces, esse sabor 100% industrial nunca me ganhou o coração, afinal como pode a nutella e o leite ninho serem elevados ao status de ingrediente? Certamente isso é um reflexo do mundo que vivemos, e do quanto o paladar pode ser infantilizado. Posso parecer um caga regra ao dizer isso, mas convenhamos, não existe complexidade, nuances, variações ou qualquer aspecto minimamente interessante nesses dois sabores.

Não estou dizendo que devemos abominar esses sabores, afinal eles são bons para alimentar, com as devidas ressalvas, obviamente.

É muito divertido explorar o mundo dos sabores, mas é sempre bom começarmos a olhar de forma crítica alguns hábitos alimentares, mesmo que bobos. Não precisa parar de comer picolé, torta, pavê, bolo, pastel, docinho de festa, milkshake ou qualquer outro produto que conseguirem enfiar esse sabor, mas tente ao menos intercalar com algo verdadeiramente genuíno.

 

Escrito ao som de: French Montana – Unforgettable ft Swae Lee

Link: https://youtu.be/CTFtOOh47oo

O amargor

Adoro doce, mas nada se compara com um belo Campari!

Enquanto via o Masterchef Profissionais hoje, uma situação específica trouxe o tema ‘amargor’ a tona. Em um piscar de olhos fiz infinitas ligações dentro de minha cabeça e logo me bateu uma vontade imensa de escrever.

De todos os cinco tipos de sabores existentes, o amargo é o que mais me fascina, e como gastrólogo tento desenvolver minha percepção dos sentidos ao máximo. O amargor entrou em minha vida quando comecei a estudar mixologia um pouco mais a fundo, comecei a perceber o quanto essa sensação gustativa é fascinante. Vindo por outro lado comecei a me deparar com ingredientes que tem como o amargor a sua principal matriz de sabor, dentre eles os principais são a Jurubeba, o Jiló (de onde venho ele não é tão comum) e a Guariroba. Fiquei bastante intrigado em observar o deleite de meu sócio ao encher a boca com jurubebas durante um almoço qualquer desses, enquanto em meu palato, uma simples jurubeba caiu como uma pequena granada de puro amargor, agressivo e quase intragável.

Seja na mixologia, confeitaria, cozinha quente, ou enologia, por meio dos taninos de um belo tinto de corpo médio, o amargor tem se mostrado um desafio muito gostoso e divertido.

 

Escrito ao som de: Good Day – Yellow Claw.

Gosto dessa música por conta da batida em (03:04)

Link: https://youtu.be/RyMqplmQ_fE

Nota para amizade

Amigos de verdade se contam nos dedos, disso todo mundo sabe, porém em certos momentos da minha vida senti como se em minhas mãos não houvesse dedo algum.

A madrugada machuca as vezes, não é? Tamo junto, boy.

 

ps: gosto muito mais do Milhouse do que do Bart

 

Escrito ao som de: YTPMVBR – O anuncio me falou outra vez

link: https://www.youtube.com/watch?v=TcLAiYCqdgs

A madrugada

Chega a ser engraçado o quanto me sinto revigorado durante a madrugada. É como se boa parte daquele cansaço que me acompanhara ao longo do dia, simplesmente fosse dissolvido pela calmaria das primeiras últimas horas. Nem parece que tive um péssimo dia.

A saudade de casa sempre aperta nesses momentos de introspecção. Nunca vi cores tão bonitas quanto as que tingiam os céus daquele pequeno conjunto habitacional que se localiza em meio a uma zona de proteção ambiental.

 

Escrito ao som de: I don’t wanna waste my time – Joji, cantarolada em minha mente.

link: https://youtu.be/UY3mAoqQh0k