Amanhece e despejo aqui tudo que penso.

Não espere muito sentido no texto a seguir.

Recentemente esse espaço completou um ano de existência. Nesse meio tempo tanta coisa interessante aconteceu, morei em lugares diferentes, passei muitas noites pensando em minha vida, remoendo minhas escolhas, ouvindo os outros e me omitindo de todas as discussões possíveis.

Estava lendo a saga clássica de Dragon Ball até poucos minutos atrás, e também ando jogando Dragon Quest XI, que tem arte do Akira, e sei lá, me sinto transportado ao passado quando consumo esse tipo de conteúdo, é reconfortante em um nível bem bom. Lembro quando era mais novo e passava as noites lendo e relendo meus poucos volumes de DGB, rindo da arte exagerada e histórias descompromissadas da obra, em um tempo que a primeira tiragem da série foi feita em um papel tipo A4, muito diferente do papel de mangá que vemos hoje em dia, que é tão fino e delicado quanto o possível.

Na última conversa que tive com meus pais, estávamos falando a respeito da saudade e de histórias de um passado não tão distante. Lembrei das vezes que minha irmã caçula dava piti quando eu recolhia os brinquedos dela e da vez que meu irmão mais novo me jogou uma cadeira na cara, claro, colocando assim parece que eu sofria bastante, mas nem tanto, na verdade eu era bem chato e sempre implicava com eles.

Velho, tem seis anos que terminei a escola – estava pensando a respeito antes de ontem – e me assusta bastante a idéias de estar vivendo uma fase que nunca imaginei, e que logo logo vou entrar na faixa etária que meus pais tinham quando eu era pequeno. Em 2024 eu vou fazer 30 anos e por mais que pareça bobo, me assusta muito. Assumindo que irei durar até lá, claro. Me recordo dos meus 13, quando não me imaginava em meus 18, e que por sua vez sentia uma angustia muito grande a respeito do que estava por vir e não imaginava os meus 24 e tem o hoje, que do ‘alto’ de meus 24, ainda me sinto com 13, vivendo os anseios dos 18 e mais decepcionado do que nunca comigo mesmo, imaginando o que vão ser dos meus 30.

Eu odeio amanhecer tão cedo aqui onde moro. É isso, melhor eu ir adiantar o meu corre.

 

(ouve essa música com calma)

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Hoje (?)

Hoje cedo levantei da cama com uma certeza “se for tão ruim quanto ontem, desisto”

Bem, só eu sei o quanto a vida tem batido forte, mas não leia com tom de vitimismo, afinal estou colhendo os frutos do que plantei, entretanto, o maior problema é que nem sempre estamos prontos para abraçar as consequências de nossas escolhas, por mais que elas sejam de nossa consciência.

É sentado, de pernas cruzadas, debruçado sobre esse teclado, que me pego pensando na versão perfeita que criei de mim mesmo, uma espécie de existência transcendental, inabalável e inalcançável, onde não existe cansaço, insegurança ou pressão social que me alcance. Um verdadeiro Übermensch do século 2000+17.

Porque estou falando disso, algo tão confuso? É que na atual organização das coisas, me pego desapontado comigo mesmo, em não aguentar lidar com as responsabilidades, exigências e compromissos que me são jogados na cara. É como se os desafios de cada dia fizessem redescobrir a minha própria humanidade, frágil, pequena e muito insegura.

Quanto ao meu dia? Bem, digamos que ainda não desisti.

Entretanto devo ressaltar o quanto algumas palavras podem fazer a diferença. Em um mesmo dia levei muitos tapas verbais, que bagunçaram totalmente meu eixo,  e outros que acabaram me fazendo dar mais uma chance, tolerar e tentar de novo.

Certa vez ouvi falar “não generalize seus problemas!”, mas acredito que não seja o caso, afinal todos acabam passando por momentos similares. É a jornada do heróis sendo posta a prova na vida real, onde flertamos com todo tipo de decisão, mas que no fim sempre tentamos de novo, um pouco mais forte.

 

Escrito ao som de:

Pai, filho e futebol.

Agora a pouco o Flamengo acabou de perder a final da Copa do Brasil para o Cruzeiro, em uma disputa de pênaltis, que segundo meu irmão, teve uma atuação patética do goleiro rubro negro.

Quando mais novo, nos tempos de escola, lembro bem que sempre fui um dos últimos a ser escolhido na hora da divisão dos times de futsal, o que me deixava pra baixo, apesar de saber da minha condição enquanto perna de pau. A solução foi jogar na defesa e usar meu peso extra para derrubar os melhores da turma. Me recordo também dos amigos que viam futebol, comentavam a respeito, discutiam calorosamente e digladiavam para provar o porquê seu time do coração era o melhor, enquanto isso eu pensava naquele desenho ou jogo que passei o final de semana assistindo. Coisa de infância, sabe.

O ponto é o seguinte, nunca fui chegado em futebol, como devem ter percebido, o que deixava meu pai chateado antigamente, “Você num acha que joga demais meu filho? Gosta de bola não?” dizia o grande S. Eu ficava sem jeito por não corresponder a esse tipo de expectativa. Meu pai torce para o Flamengo, uma das poucas coisas que o faz vibrar de alegria, então como todo filho, acabei começando a torcer para o mesmo time, como forma de nos aproximar. Mesmo sabendo que o flamengo capenga com força desde sempre.

Meu irmão começou torcendo para o Fla também, mas acabou virando São Paulino com o passar dos anos, coisa que não aconteceu comigo, afinal ainda sinto essa vontade de agradar, mesmo que seja uma vontade para atender uma demanda que eu mesmo criei.

Hoje, enquanto o jogo rolava, estava no quarto jogando Naruto (pois é), mas estava ouvindo o caminhar do jogo através dos ruídos da televisão da sala, e a queima ou não de fogos de artificio, que eventualmente rola nessas partidas importantes. Foi engraçado, porque meu pai estava de saída para o serviço quando falou no grupo da família, aquele do aplicativo verde, “R, como está o jogo?”, e meu irmão retrucou dizendo que estava bem equilibrado e que iriam para os pênaltis.

A partir daquele momento fiquei de orelhas em pé, para qualquer ruído fora do comum. Passados alguns minutos ouço Galvão berrar algumas vezes, porém ele deu um berro bem mais duradouro que os anteriores, naquele momento uma leve tensão me correu o corpo. Fogos de artifício estourando na vizinhança (moro no interior de MG, atualmente). Cruzeiro campeão e meu pai saiu para trabalhar. Me veio um certo desapontamento sabe, mas tudo bem, não é algo que faça diferença para minha pessoa por si só, entretanto faz para o meu velho, e saber que ele se animou com algo, me deixa feliz. De qualquer forma, mais sorte pra ‘nosso’ time na próxima, não é pai?

(ah, parabéns aos cruzeirenses)

 

Escrito ao som de: The Outfield – Your Love

 

Internet e a Cultura do Videogame

Primeira colaboração do blog 🙂

Hoje mais cedo, gastei umas boas horas jogando CSGO, e parei pra refletir como a internet de certo modo pode matar certas experiências, mas para ficar bem explícito o que quero dizer vou voltando uns anos no tempo; 

Se não me falha a memória o primeiro JRPG que tive contato foi Breath of Fire 1, meu vizinho tinha o jogo e de cara fiquei viciado na ideia de um jogo que demorasse tanto pra acabar e que tivesse tanta história para explorar. Em seguida veio Final Fantasy 4, e então começou a paixão por JRPG. Ali no início dos anos 2000 com internet super limitada o importante era ter um bom jogo nas mãos, e as disputas de multijogadores se limitavam ao sofá de casa, ou a sua rua.

Virar o melhor jogador de algo no bairro era o ápice que qualquer um poderia alcançar, a ambição no multiplayer era relativamente mínima, ok ok isso não diminuía o trabalho e o empenho de cada um, mas existiam certos fatores; o primeiro era a pequena biblioteca de jogos, afinal que criança ali com mega, super nintendo, ps1 tinha dinheiro para se entupir de jogos? Jogávamos o que tínhamos e pronto. 

O efeito replay era algo constante, ficar bom em algum jogo multiplayer era na maioria das vezes culpa da repetição e não da busca por ‘’ser o melhor’’ e é nesse ponto que entra o segundo fator; O divertimento! Era simples, um jogo deixou de ser divertido pelo motivo que seja, ninguém mais queria jogar e pronto! Então não tinha motivo para treinar e ser o melhor em algo que a área de impacto é sua rua e que só você gosta de jogar, então no fim das contas a jogatina em turma era meramente por diversão. E sim, ironicamente hoje podemos acabar jogando por ‘’obrigação‘’, alguns jogos criam essa sensação e esse é um dos pontos que a internet pode estragar uma experiência, e sim eu sei, a culpa não é da internet em si, isso vai de cada pessoa e do que ela julga importante, mas muitas vezes mentimos para nós mesmos, e deixamos de gostar de algo por mera imagem social, afinal, quantas vezes nós continuamos jogando mesmo sem vontade só para melhorar o rank e ter algum destaque?!

Agora voltando para os JRPGs; como um jogo online pode influenciar sua experiência em outro jogo? Simples, o fator tempo. Por conta desse sentimento de ‘’talvez isso faça eu perder tempo que poderia ser investido em algum Rank‘’. Às vezes nos negamos a conhecer algo novo mesmo querendo, e às vezes, algo novo muito bom mas que não foi apresentado com tanta emoção. Ok, um RPG em geral começar de um jeito simples, não quer dizer que ele seja ruim, mas vou mostrar um exemplo prático usando os Final Fantasy que joguei sem entrar em muito detalhe, FF3 você começa em uma caverna, após um terremoto e lutando com goblins, FF4 você começa em uma aeronave lutando com monstros, FF5 você começa vendo o rei indo embora em um dragão por conta do cristal de vento que parou de funcionar e em seguida um meteoro cai perto do acampamento de um rapaz, então começamos a jogar com ele, FF6 soldados do exército montados em máquinas de guerra avançam para uma cidade para pegar um ‘’ deus congelado ‘’ , FF7 membros de uma ‘’resistência’’ pulam de um trem atacando alguns oficiais e começam a se infiltrar em umas instalações do governo, (lembrando, estou falando sem muitos detalhes, é basicamente a primeira impressão dos primeiros segundos que alguém que nunca jogou poderia ter). 

Enfim esses final fantasy, de certo modo criam uma expectativa no jogador, mesmo sendo bem simples como no FF3 no Nes, mas gera uma curiosidade e isso faz continuarmos no jogo, então depois de velho tive a ideia de jogar Final Fantasy 8, comprei ele na steam e comecei a jogar, ele inicia mostrando uma luta até bem empolgante, então ela termina e descobrimos que era um treinamento, mas não um simples treinamento, um treinamento em uma escola para cavaleiros e blablabla (sim o início dele é igual ao desses animes ecchi que tem em toda temporada). Mas qual é o ponto? Isso faz do FF8 um jogo ruim? Eu não sei, por que eu não joguei mais que 15 minutos, e provavelmente o jogo ficaria bom lá na frente, FF8 possui ótimas críticas, mas o início do jogo é chato e sem sal, talvez esse início só seja assim por que estamos em 2017, e já sabendo o quanto um JRPG demora. 

Vale a pena jogar um jogo em que você não sabe se vai ser bom e que o início foi sem graça? Vale a pena perder possíveis 40 horas de jogatina que poderiam ser aplicadas no seu Rank do DotA ou seja lá o jogo que você joga? Pra falar a verdade, valeria a pena porque no final das contas o importante é jogar ter experiências novas e acima de tudo se divertir.

Mas toda a questão social e o egoísmo gerado pelos ranks nos jogos de hoje, fazem com que certas experiências não tenham chance de acontecer, e ok, talvez você que está lendo isso ache completamente inválido tudo o que eu tô falando, e caso você ache eu te admiro muito, mas infelizmente não sou só eu esse egoísta, e toda essa questão da internet e seus ranks acabam com tempo e a chance de certos jogos em que às vezes criamos preconceitos e desculpas para evitá-los. 

Como The Last Remnant, outro rpg da square enix, em que eu não continuei jogando porque o personagem andava ‘’ estranho demais’’, eu sei, isso foi uma desculpa esfarrapada que eu inventei pra mim mesmo, tudo para não jogar um jogo e ter tempo para pegar aquela patente… Jogar videogame deixou de ser algo tão simples, as desenvolvedoras hoje fazem de tudo para lançar algo que prenda a atenção dos jogadores no primeiro impacto, algo que consiga vencer a sensação de ‘’ será que vale meu tempo?’’. 

Enfim, como qualquer outra indústria, a indústria dos jogos também pode ser bem cruel e esmagar pequenas produções deixando-as sem foco algum. E para não caírem no esquecimento, podem acabar forçando o multiplayer para tentar puxar essa parcela de jogadores, no fim das contas, como foi dito no início, nada disso é culpa da internet em si, e sim dos jogadores! Mas é graças a ela que a competitividade passou dos níveis casa/rua/bairro, agora não é mais jogar por diversão, é jogar para ser o melhor, e isso toma tempo, o tempo que não temos.

Escrito ao som de: SteamWorld Dig – Archaea 

Joguinho simples, que o início é simples, mas me gerou uma curiosidade que acabou me tomando boas horas até completá-lo, sim o jogo é meio velho, mas valeu a pena ‘’ perder tempo ‘’.

Belgeon.

Engrossando estatísticas

Como jovem adulto me vejo em um momento de grandes decisões, porém algumas delas me fazem integrar estatísticas as quais, se me fossem faladas anos atrás, teriam como resposta um “Pff eu? Jamais!”

Pois é, o tempo é um verdadeiro mago, e como diria o Patolino ” O mago é implacável”. É com essa constatação que comecei a notar algumas mudanças as quais, anos atrás, eu me categorizava como inatingível.

Amadurecer. Meu primeiro contato direto com esse fenômeno se deu por meio de mudanças corporais, e chega a ser irônico pois naquela ocasião estava lutando contra o crescimento de meu próprio projeto de bigode. Em uma pegada parecida, percebi a abertura de um novo patamar para esse termo em minha vida. Em uma dessas manhãs, enquanto me arrumava para o trabalho, percebi os flertes de minhas madeixas com a Calvície. Sendo filho de um careca sempre soube da possibilidade à espreita, porém é como dizem por aí, a esperança é a última que morre. Afinal, vai que, né?!

Bom, minhas entradas fizeram perceber o quanto comecei a engrossar algumas estatísticas das mais variadas naturezas. Estar acima do peso, ter uma certa queda por álcool, me pegar curtindo aquele funk péssimo que virou hit, temer o desemprego e tantas outras que norteiam nosso entendimento desta sociedade.

É engraçado pensar que hoje em dia lido com problemas inimagináveis ao meu ‘eu’ passado. Antigamente este que vos fala tinha como prioridades baixar o episódio semanal de meus animes favoritos, jogar videogame com os amigos e vez ou outra, preocupar com alguma prova de português ou redação que me causavam verdadeiros arrepios na espinha.

 

Inclusive, um problema de primeiro mundo que enfrento nesse exato momento é a falta de uma boa xícara de café, às 17:40, nessa entardecer de quarta-feira.

 

Escrito ao sim de: SOJA – Not Done Yet

 

O que aconteceu com One Piece?

Hoje cedo estava conversando com um grupo de amigos e chegamos a conclusão que One Piece está dando seus últimos respiros!

Desde sempre acompanhei vários animes, e lembro que por mais que acompanhasse animes que levavam anos para acabar, me mantive fiel apesar dos apesares, porém uma das animações japonesas que mais me marcou nos últimos anos, está deixando um gosto amargo na boca. One Piece fez seu vigésimo aniversário em 19 de julho deste ano, porém muito fora modificado nos últimos anos, o que em minha opinião, fez a qualidade geral da obra cair bastante.

A última vez que realmente levei a sério os fatos desse desenho de lutinha, como minha mãe adora chamar, foi no arco em que o Kuma separa os mugiwara, em uma cena de puro desespero envolvendo a tripulação. Porém antes disso a obra já mostrava sinais de defasagem, afinal muitas sagas usavam a mesma estrutura: lugar desconhecido, tripulação separada, grande ameaça, motivação simples para enfrentar essa mesma ameaça, muitas vezes foi por conta de uma amizade, metade da saga se passa indo de um ponto ao outro, e no final o Ruffy derrota o vilão.

Esses dias fui dar um confere para ver como anime estava, e me deparei em uma batalha do Ruffy contra o Cracker, oficial da Big Mom, e me desculpe, a animação estava porca. Não vem dizer que é por conta da excentricidade do universo fantástico do Oda, estava ruim mesmo. Lembro muito bem que por cerca de três minutos não consecutivos, rodaram uma mesma animação em loop do vilão desferindo goles de espada contra os mocinhos. Ah desculpa, mas parece que a produtora imagina que os fãs sejam idiotas, só pode.

Como sou teimoso, e saudosista, fui queimar uns neurônios atrás de dar sentido para o que estava acontecendo, e acabei chegando a seguinte conclusão: One Piece está a tantos anos no ar que precisava abocanhar um novo mercado etário, logo foram postas em prática uma série de diretrizes que ao longo dos anos, mudaram os eixos da obra. Mais ou menos o que Dragon Ball Super está fazendo, a diferença é que o Piece fez isso ao longo dos anos. Uma pena pra mim.

 

ps: nem vem com aquela de “ah, mas você cresceu e com isso os interesses mudaram” porque até hoje sou doido por desenho de bonecos do olhão, classificação que minha mãe deu aos animes. Beijo mãe! 😀

 

Escrito ao som de: One Piece opening 11 – Share the world!

Link: https://youtu.be/AUilDOB9SGQ