O todo poderoso

Felicidade é; final de tarde, calmaria, minha caneca preferida e uma garrafa de café.

Bom, desde muito pequeno aprendi a gostar de café puro, preto, pois minha intolerância a lactose não perdoava. Em minha família alguns hábitos eram sagrados, como o lanche de final de tarde regado a café, misto quente e bolos, sempre feitos por minha mãe, em grandes tabuleiros, e os quais se tornaram um outro grande amor, o qual discorrerei em outra oportunidade.

O ponto é que a bebida amarga sempre simbolizou um ritual ao longo de minha vida. Era o momento em que tudo parava, sentávamos à mesa e uma áurea de calmaria se formava ao nosso redor. Quando morava com meus pais nunca encarei o momento dessa forma, mas conforme me afastei do ninho, percebi que esse ritual ficou impresso em minha identidade, o que acabei transportando para todos os lugares que passei; a república que morei com amigos em Natal, a casa de meus tios em Brasília, meu apartamento na mesma cidade e agora aqui, em Minas Gerais.

No último ano passei a encarar a bebida, e tudo que a cercava, como um potencial estilo de vida e modelo de negócio. “Porque não transformar minha aptidão em uma forma de faturar uns trocados?”, pensava. Eis que comecei a pesquisar/ experimentar grãos, métodos de infusão, tipo de adoçantes, equipamentos, história e eventualmente cursos.

Estou longe de ser um barista, mas pretendo chegar nesse patamar, e algum dia, quando olhar para trás junto de meus pais, tomando café naquela mesma mesa de granito que testemunhou o surgimento de uma de minhas paixões, vamos rir bastante das dificuldades daquele passado longínquo.

 

Ps: algum dia pretendo elaborar um compilado sobre o grão, métodos e curiosidades 🙂

 

Escrito ao som de: Bag Raiders – Shooting Stars

Link: https://youtu.be/feA64wXhbjo

Ninho com Nutella vs o Mundo

Ninho com nutella, praticamente uma praga no mundo doce atual.

Confesso, sou um grande apreciador de doces, por assim dizer, porém nos últimos dois/três anos, venho notado que um ‘sabor’ em específico vem dominando o mercado de doces em geral, o controverso leite ninho com nutella.

Mesmo gostando bastante de doces, esse sabor 100% industrial nunca me ganhou o coração, afinal como pode a nutella e o leite ninho serem elevados ao status de ingrediente? Certamente isso é um reflexo do mundo que vivemos, e do quanto o paladar pode ser infantilizado. Posso parecer um caga regra ao dizer isso, mas convenhamos, não existe complexidade, nuances, variações ou qualquer aspecto minimamente interessante nesses dois sabores.

Não estou dizendo que devemos abominar esses sabores, afinal eles são bons para alimentar, com as devidas ressalvas, obviamente.

É muito divertido explorar o mundo dos sabores, mas é sempre bom começarmos a olhar de forma crítica alguns hábitos alimentares, mesmo que bobos. Não precisa parar de comer picolé, torta, pavê, bolo, pastel, docinho de festa, milkshake ou qualquer outro produto que conseguirem enfiar esse sabor, mas tente ao menos intercalar com algo verdadeiramente genuíno.

 

Escrito ao som de: French Montana – Unforgettable ft Swae Lee

Link: https://youtu.be/CTFtOOh47oo