Saudosismo pamonhístico 

Wonderwall ao telefone, tarde nublada, olho através da janela e me sinto um personagem de “imagens Tumblr”.

Baboseiras à parte, essa tarde tem um clima mais gostoso do que as que vivi durante a última semana. Motivo? Bem, acho que provavelmente é porque me desprendi de alguns problemas e estou ouvindo música desde que acordei.

Parece que esse tempo a sós comigo mesmo, em meio ao caos que me rodeia está sendo bem gostoso de viver, afinal, estou sendo um mero espectador. Divertido pra cara$&#, admito.

Nesse momento vieram me entregar uma pamonha. Engraçado porque qualquer pamonha que eu não esteja envolvido no processo de fabricação, acho extremamente esquisito, afinal lá em casa, meu pai trazia um saco de milho e todos debruçavamos em torno daquele mundo de espigas. Eu odiava quando mais novo, afinal dava muito trabalho, mas hoje quando olho para trás, acho o máximo, afinal era um verdadeiro evento familiar, sabe.

Hoje, morando longe de casa, sinto muita saudades de tudo, até mesmo das partes mais difíceis e trabalhosas. Chega a ser engraçado como as coisas funcionam, afinal bem como às pamonhas, haviam muitas outras situações que me tiravam do sério anos atrás, mas conforme as coisas foram desenvolvendo, comecei a sentir falta ate mesmo de meus problemas do passado. Isso sim que é saudosismo, não acham?

Escrito ao som de: Mama – Blue Jonas

O mundo é um moinho

Hoje acordei super tarde, vide último post para ver o motivo, e por alguma razão estou com essa ideia do título impressa em meu ser. Seria a depressão de domingo batendo mais cedo que o de costume?

Bem, não sou um grande conhecedor da música nacional, então não me envergonho de admitir que conheço apenas duas músicas do Cartola, mas ainda assim, sinto que cada uma delas toca de forma muito particular e complementar, dentro desse que vos escreve.

Enquanto fazia meu café, sentia o corpo anestesiado por essa ideia, pensando em quantas vezes já não havia sido vítima dessa força descomunal que o mundo já exercerá contra minhas vontades. Ainda estou me recompondo da última pancada, então esse pensamento faz tanto sentido que chega a entristecer. Afinal né sinto à beira de um abismo, figurativamente claro, onde não faço ideia qual rumo deva tomar.

Estou em frente de casa, meu companheiro de morada está na sala vendo um filme de ‘bang, bang’, precisei cortar a conversa com I. na metade e recusar uma das raras ligações de meu irmão, tudo isso para conseguir pegar no celular e simplesmente colocar pra fora essa melancolia que sobre minha pessoa se abateu.

Dias atrás I. comentará o quanto consigo escrever bem quando estou nesse estado mais melancólico do ser. Confesso que gosto quando as coisas fluem bem, mas odeio ficar nesse estado latente, afinal não faz bem para aqueles que estão a minha volta.

Café acabou e acho melhor buscar outra xícara, na verdade acho que vou buscar a garrafa e aproveitar esse final de tarde. Por vezes devo admitir que a melhor companhia é a de si mesmo, afinal, ajuda a sentir o gosto amargo que as situações vividas deixaram na na boca. As vezes dá até para aprender a apreciar essa sensação, diferenciando as nuances e evitando aquilo que é insuportável.
Escrito ao som de: Cartola – O mundo é um moinho

Sobre digestão de problemas

 A tomada de decisão é um dos dons que definitivamente não tenho.

Tomar boas ou más decisões dependem muito do referencial, afinal qualquer situação é composta por duas faces. Quando olho para trás nesses últimos anos, vejo uma espécie de areia, marcada por minhas pegadas e cheia de tropeços, como se não conseguisse andar em linha reta por muito tempo.

Olhando essas marcas lembro de cada situação, e do quanto precisei me adaptar para continuar andando em frente, mesmo que isso significasse dar um passo para trás, respirar fundo e continuar seguindo.

Muito se aprende com os tropeços, e pensando aqui com meus botões, nesse processo de amadurecimento a parte mais importante está justamente em aprender a digerir toda a situação. Admitir derrota, juntar os frangalhos de orgulho próprio, aprender a se perdoar, identificar os erros e principalmente seguir em frente sem olhar para trás levando apenas o próprio aperfeiçoamento como fruto do passado longínquo.

Acho que esse texto deve estar com uma vibe de autoajuda, melancólica e bem confusa, não é? Peço desculpas, eu acho, mas as coisas andam nebulosas pra minha pessoa, e gosto bastante de compartilhar os reflexos do que se passa comigo aqui nesse espaço que alimento com bastante carinho, apesar da diminuição da frequência dos posts.

Enquanto escrevia o telefone tocou e J, um grande amigo, falou que estava com problemas para finalizar o tcc, afinal estava saturado daquela tarefa árdua, e acabei chegando a conclusão de que todas as vezes que escrevi foi porque usei o que sentia como tinta nessa página em branco.

 

Escrito ao som de: Cabvno – F e e l i n g s