Cheiro de pizza, cerveja e a angustia.

Sinto uma espécie de comichão no peito e na cabeça, sinal que preciso escrever um pouco.

Confesso que está um final de tarda maravilhoso, posterior a uma tarde ensolarada e muito bonita aqui em Pinheiros, toca jazz ao fundo e minha cerveja acaba de levar o último gole. 

Não sinto vontade alguma de ir para casa, sabe. Lá é muito monótono e tem sido especialmente entristecedor nos últimos dias, o que chega a ser bem esquisito, dado a forma que enxergo o mundo. Talvez minha visão esteja ficando esverdeada e com marcas d’água.

Esse ano tem sido extremamente inconstante, com mais reviravoltas que novela mexicana. Não que eu esteja me fazendo de vítima, tenho completa noção de meus vacilos. Mas nem em meus maiores sonhos/pesadelos teria imaginado um desenrolar tão intenso. O mais curioso é que mesmo diante de bons presságios, me sinto um tanto quanto paralisado, com medo do ontem virar hoje, sabe.

Não dá pra viver com medo de ir pra frente, eu sei, também não quero dar um seminário motivacional a ninguém, então melhor deixar isso pra lá. Correndo o risco de ser muito repentino, acabou de bater uma puta vontade de escrever sobre café! (rindo). Bom, depois voltamos a conversar.

Acho que preciso de amigos que morem, ao menos, na mesma cidade que eu.

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Escrito ao som: dos carros passando na rua e da música ambiente da Braz Elétrica.

O mundo é um moinho

Hoje acordei super tarde, vide último post para ver o motivo, e por alguma razão estou com essa ideia do título impressa em meu ser. Seria a depressão de domingo batendo mais cedo que o de costume?

Bem, não sou um grande conhecedor da música nacional, então não me envergonho de admitir que conheço apenas duas músicas do Cartola, mas ainda assim, sinto que cada uma delas toca de forma muito particular e complementar, dentro desse que vos escreve.

Enquanto fazia meu café, sentia o corpo anestesiado por essa ideia, pensando em quantas vezes já não havia sido vítima dessa força descomunal que o mundo já exercerá contra minhas vontades. Ainda estou me recompondo da última pancada, então esse pensamento faz tanto sentido que chega a entristecer. Afinal né sinto à beira de um abismo, figurativamente claro, onde não faço ideia qual rumo deva tomar.

Estou em frente de casa, meu companheiro de morada está na sala vendo um filme de ‘bang, bang’, precisei cortar a conversa com I. na metade e recusar uma das raras ligações de meu irmão, tudo isso para conseguir pegar no celular e simplesmente colocar pra fora essa melancolia que sobre minha pessoa se abateu.

Dias atrás I. comentará o quanto consigo escrever bem quando estou nesse estado mais melancólico do ser. Confesso que gosto quando as coisas fluem bem, mas odeio ficar nesse estado latente, afinal não faz bem para aqueles que estão a minha volta.

Café acabou e acho melhor buscar outra xícara, na verdade acho que vou buscar a garrafa e aproveitar esse final de tarde. Por vezes devo admitir que a melhor companhia é a de si mesmo, afinal, ajuda a sentir o gosto amargo que as situações vividas deixaram na na boca. As vezes dá até para aprender a apreciar essa sensação, diferenciando as nuances e evitando aquilo que é insuportável.
Escrito ao som de: Cartola – O mundo é um moinho

Engrossando estatísticas

Como jovem adulto me vejo em um momento de grandes decisões, porém algumas delas me fazem integrar estatísticas as quais, se me fossem faladas anos atrás, teriam como resposta um “Pff eu? Jamais!”

Pois é, o tempo é um verdadeiro mago, e como diria o Patolino ” O mago é implacável”. É com essa constatação que comecei a notar algumas mudanças as quais, anos atrás, eu me categorizava como inatingível.

Amadurecer. Meu primeiro contato direto com esse fenômeno se deu por meio de mudanças corporais, e chega a ser irônico pois naquela ocasião estava lutando contra o crescimento de meu próprio projeto de bigode. Em uma pegada parecida, percebi a abertura de um novo patamar para esse termo em minha vida. Em uma dessas manhãs, enquanto me arrumava para o trabalho, percebi os flertes de minhas madeixas com a Calvície. Sendo filho de um careca sempre soube da possibilidade à espreita, porém é como dizem por aí, a esperança é a última que morre. Afinal, vai que, né?!

Bom, minhas entradas fizeram perceber o quanto comecei a engrossar algumas estatísticas das mais variadas naturezas. Estar acima do peso, ter uma certa queda por álcool, me pegar curtindo aquele funk péssimo que virou hit, temer o desemprego e tantas outras que norteiam nosso entendimento desta sociedade.

É engraçado pensar que hoje em dia lido com problemas inimagináveis ao meu ‘eu’ passado. Antigamente este que vos fala tinha como prioridades baixar o episódio semanal de meus animes favoritos, jogar videogame com os amigos e vez ou outra, preocupar com alguma prova de português ou redação que me causavam verdadeiros arrepios na espinha.

 

Inclusive, um problema de primeiro mundo que enfrento nesse exato momento é a falta de uma boa xícara de café, às 17:40, nessa entardecer de quarta-feira.

 

Escrito ao sim de: SOJA – Not Done Yet

 

O todo poderoso

Felicidade é; final de tarde, calmaria, minha caneca preferida e uma garrafa de café.

Bom, desde muito pequeno aprendi a gostar de café puro, preto, pois minha intolerância a lactose não perdoava. Em minha família alguns hábitos eram sagrados, como o lanche de final de tarde regado a café, misto quente e bolos, sempre feitos por minha mãe, em grandes tabuleiros, e os quais se tornaram um outro grande amor, o qual discorrerei em outra oportunidade.

O ponto é que a bebida amarga sempre simbolizou um ritual ao longo de minha vida. Era o momento em que tudo parava, sentávamos à mesa e uma áurea de calmaria se formava ao nosso redor. Quando morava com meus pais nunca encarei o momento dessa forma, mas conforme me afastei do ninho, percebi que esse ritual ficou impresso em minha identidade, o que acabei transportando para todos os lugares que passei; a república que morei com amigos em Natal, a casa de meus tios em Brasília, meu apartamento na mesma cidade e agora aqui, em Minas Gerais.

No último ano passei a encarar a bebida, e tudo que a cercava, como um potencial estilo de vida e modelo de negócio. “Porque não transformar minha aptidão em uma forma de faturar uns trocados?”, pensava. Eis que comecei a pesquisar/ experimentar grãos, métodos de infusão, tipo de adoçantes, equipamentos, história e eventualmente cursos.

Estou longe de ser um barista, mas pretendo chegar nesse patamar, e algum dia, quando olhar para trás junto de meus pais, tomando café naquela mesma mesa de granito que testemunhou o surgimento de uma de minhas paixões, vamos rir bastante das dificuldades daquele passado longínquo.

 

Ps: algum dia pretendo elaborar um compilado sobre o grão, métodos e curiosidades 🙂

 

Escrito ao som de: Bag Raiders – Shooting Stars

Link: https://youtu.be/feA64wXhbjo