Memória fotográfica – comida

Estava aqui no job, sentado e observando a chuva chegar, quando de repente viajo para algumas boas memórias.

Estou com o celular em punhos para compartilhar este pequeno relato, e o mais engraçado é que um amigo de trabalho, chileno, não para de conectar um assunto atrás do outro. Confesso que precisei fugir daqui, mesmo que em pensamento.

Estava lembrando da casa de meus pais e outras situações, e do quando me divirto com pequenas coisas, seja brincando com um monte de temperos, ralando milho seco para polenta ou satisfazendo minha mania de organização.

Meu pai havia chegado com um saco cheio de milho de nossa fazenda. Porque? Não sei, ele é um sujeito impulsivo. Acabei guardando algumas espigas para testes. Bom, dias se passaram e em uma tarde de terça feira, quase noite na verdade, acabei me entretendo bastante com um teste para polenta que acabei executando. Ainda lembro muito bem do gosto adocicado daquela que foi a melhor polenta que já comi.

Foto tirada em Fevereiro de 2017
Coquetelaria também é uma grande paixão que alimento secretamente. A senhora minha mãe não é chegada em bebidas, mas aos poucos ela vai entendendo que por trás de cada garrafa existe uma bela história, com métodos de extração, tradição, trabalho árduo e muita paixão. A foto a baixo foi de um treinamento rápido que dei aqui para os colaboradores do trampo.

Foto tirada em Agosto de 2017
Ainda nessa pegada de bebidas, a foto a baixo foi tirada em um momento muito divertido do meu antigo Job, onde a barman da casa precisava de alguns ingredientes para a elaboração da nova carta de drinks, e embalado em meus estudos na área e conhecimento de cozinha, acabei elaborando um bitter de hibisco, que não saíram na foto. No momento em que tirei essa foto, estava prestes a tostar essas especiarias para liberar os olhos essenciais de casa uma. Ainda lembro da diversão e o cheiro que tomou conta de todo o estabelecimento.

Foto tirada em Junho de 2017

Minha relação com a cozinha foi construída essencialmente sob dois pilares, a curiosidade infantil que sempre me moveu e o carinho que tenho pela comida, vindo principalmente de minha mãe. Ainda lembro bem quando tinha por volta de meus 13 anos e ela me chamaram na cozinha, dizendo “filho, vou te ensinar a cozinhar, porque um dia vai ser de grande ajuda, principalmente quando estiver morando longe de casa”. Pois é mãe, quem diria que aquele pequeno momento, às onze da manhã de um dia qualquer perdido em 2007 mudaria tantas coisas por aqui.

Escrito ao som de: Skrillex & Poo Bear – Would You Ever

Nem mesmo eles estavam preparados

Das maiores dificuldades que enfrentei na vida, certamente acertar os ponteiros com meus pais figura dentre as mais difíceis, chegando a ser um processo delicado e minucioso.

Estava com o bloco de texto aberto para elaborar um post sobre música, quando de repente a janela do Discord começa a piscar na barra de tarefas, e um amigo manda mensagem comentando a dificuldade que existe na relação entre sua genitora. Me perdi em pensamentos e comecei a revisitar momentos muito difíceis que vivi, com essa temática.

Cada um sabe o peso dos próprios problemas, e longe de mim ficar medindo tragédia com esse amigo, ou qualquer um que venha ler este singelo relato, mas lembro bem da relação complicada que tive principalmente com meu pai. Segundo minha mãe e minhas viagens introspectivas, cheguei a conclusão de que boa parte dos meus problemas estão ligados a semelhança que existe entre o temperamento de meu pai e deste que vos fala. Nunca concordamos com nada mas sempre tomamos as mesmas escolhas, dadas as devidas proporções. A sintonia era tão grande que nos tempos de escola, usava essa noção para tomas decisões que possivelmente deixariam o homem zangado, coisas como “Ah, vou esticar o horário desse rolê porque sei que meu velho não vai ligar, afinal eu não ligaria se estivesse no lugar dele”.

Outra parte engraçada está naquela ideia de que os pais sempre sabem o que estão fazendo, afinal eles são nossas primeiras referências. Meu velho, me desculpe, mas seus pais e os meus estão tão perdidos quanto eu e você. A diferença é que eles são mais experientes em resolução de problemas e um pouco mais sangue frio, justamente porque não querem nos preocupar com aquilo que tira o sono deles.

No final das contas só precisamos ser mais pacientes com os velhos, sabe. Entender que eles foram moldados sob outras diretrizes, e que muitas vezes podem ter sido vítimas disso. O elo que existe entre nós e eles certamente é muito forte e aguenta quase todo tipo de pancada, mas não é por conta disso que vamos dificultar as coisas, não é?

 

Escrito ao som de: n u a g e s – Dreams