Internet e a Cultura do Videogame

Primeira colaboração do blog 🙂

Hoje mais cedo, gastei umas boas horas jogando CSGO, e parei pra refletir como a internet de certo modo pode matar certas experiências, mas para ficar bem explícito o que quero dizer vou voltando uns anos no tempo; 

Se não me falha a memória o primeiro JRPG que tive contato foi Breath of Fire 1, meu vizinho tinha o jogo e de cara fiquei viciado na ideia de um jogo que demorasse tanto pra acabar e que tivesse tanta história para explorar. Em seguida veio Final Fantasy 4, e então começou a paixão por JRPG. Ali no início dos anos 2000 com internet super limitada o importante era ter um bom jogo nas mãos, e as disputas de multijogadores se limitavam ao sofá de casa, ou a sua rua.

Virar o melhor jogador de algo no bairro era o ápice que qualquer um poderia alcançar, a ambição no multiplayer era relativamente mínima, ok ok isso não diminuía o trabalho e o empenho de cada um, mas existiam certos fatores; o primeiro era a pequena biblioteca de jogos, afinal que criança ali com mega, super nintendo, ps1 tinha dinheiro para se entupir de jogos? Jogávamos o que tínhamos e pronto. 

O efeito replay era algo constante, ficar bom em algum jogo multiplayer era na maioria das vezes culpa da repetição e não da busca por ‘’ser o melhor’’ e é nesse ponto que entra o segundo fator; O divertimento! Era simples, um jogo deixou de ser divertido pelo motivo que seja, ninguém mais queria jogar e pronto! Então não tinha motivo para treinar e ser o melhor em algo que a área de impacto é sua rua e que só você gosta de jogar, então no fim das contas a jogatina em turma era meramente por diversão. E sim, ironicamente hoje podemos acabar jogando por ‘’obrigação‘’, alguns jogos criam essa sensação e esse é um dos pontos que a internet pode estragar uma experiência, e sim eu sei, a culpa não é da internet em si, isso vai de cada pessoa e do que ela julga importante, mas muitas vezes mentimos para nós mesmos, e deixamos de gostar de algo por mera imagem social, afinal, quantas vezes nós continuamos jogando mesmo sem vontade só para melhorar o rank e ter algum destaque?!

Agora voltando para os JRPGs; como um jogo online pode influenciar sua experiência em outro jogo? Simples, o fator tempo. Por conta desse sentimento de ‘’talvez isso faça eu perder tempo que poderia ser investido em algum Rank‘’. Às vezes nos negamos a conhecer algo novo mesmo querendo, e às vezes, algo novo muito bom mas que não foi apresentado com tanta emoção. Ok, um RPG em geral começar de um jeito simples, não quer dizer que ele seja ruim, mas vou mostrar um exemplo prático usando os Final Fantasy que joguei sem entrar em muito detalhe, FF3 você começa em uma caverna, após um terremoto e lutando com goblins, FF4 você começa em uma aeronave lutando com monstros, FF5 você começa vendo o rei indo embora em um dragão por conta do cristal de vento que parou de funcionar e em seguida um meteoro cai perto do acampamento de um rapaz, então começamos a jogar com ele, FF6 soldados do exército montados em máquinas de guerra avançam para uma cidade para pegar um ‘’ deus congelado ‘’ , FF7 membros de uma ‘’resistência’’ pulam de um trem atacando alguns oficiais e começam a se infiltrar em umas instalações do governo, (lembrando, estou falando sem muitos detalhes, é basicamente a primeira impressão dos primeiros segundos que alguém que nunca jogou poderia ter). 

Enfim esses final fantasy, de certo modo criam uma expectativa no jogador, mesmo sendo bem simples como no FF3 no Nes, mas gera uma curiosidade e isso faz continuarmos no jogo, então depois de velho tive a ideia de jogar Final Fantasy 8, comprei ele na steam e comecei a jogar, ele inicia mostrando uma luta até bem empolgante, então ela termina e descobrimos que era um treinamento, mas não um simples treinamento, um treinamento em uma escola para cavaleiros e blablabla (sim o início dele é igual ao desses animes ecchi que tem em toda temporada). Mas qual é o ponto? Isso faz do FF8 um jogo ruim? Eu não sei, por que eu não joguei mais que 15 minutos, e provavelmente o jogo ficaria bom lá na frente, FF8 possui ótimas críticas, mas o início do jogo é chato e sem sal, talvez esse início só seja assim por que estamos em 2017, e já sabendo o quanto um JRPG demora. 

Vale a pena jogar um jogo em que você não sabe se vai ser bom e que o início foi sem graça? Vale a pena perder possíveis 40 horas de jogatina que poderiam ser aplicadas no seu Rank do DotA ou seja lá o jogo que você joga? Pra falar a verdade, valeria a pena porque no final das contas o importante é jogar ter experiências novas e acima de tudo se divertir.

Mas toda a questão social e o egoísmo gerado pelos ranks nos jogos de hoje, fazem com que certas experiências não tenham chance de acontecer, e ok, talvez você que está lendo isso ache completamente inválido tudo o que eu tô falando, e caso você ache eu te admiro muito, mas infelizmente não sou só eu esse egoísta, e toda essa questão da internet e seus ranks acabam com tempo e a chance de certos jogos em que às vezes criamos preconceitos e desculpas para evitá-los. 

Como The Last Remnant, outro rpg da square enix, em que eu não continuei jogando porque o personagem andava ‘’ estranho demais’’, eu sei, isso foi uma desculpa esfarrapada que eu inventei pra mim mesmo, tudo para não jogar um jogo e ter tempo para pegar aquela patente… Jogar videogame deixou de ser algo tão simples, as desenvolvedoras hoje fazem de tudo para lançar algo que prenda a atenção dos jogadores no primeiro impacto, algo que consiga vencer a sensação de ‘’ será que vale meu tempo?’’. 

Enfim, como qualquer outra indústria, a indústria dos jogos também pode ser bem cruel e esmagar pequenas produções deixando-as sem foco algum. E para não caírem no esquecimento, podem acabar forçando o multiplayer para tentar puxar essa parcela de jogadores, no fim das contas, como foi dito no início, nada disso é culpa da internet em si, e sim dos jogadores! Mas é graças a ela que a competitividade passou dos níveis casa/rua/bairro, agora não é mais jogar por diversão, é jogar para ser o melhor, e isso toma tempo, o tempo que não temos.

Escrito ao som de: SteamWorld Dig – Archaea 

Joguinho simples, que o início é simples, mas me gerou uma curiosidade que acabou me tomando boas horas até completá-lo, sim o jogo é meio velho, mas valeu a pena ‘’ perder tempo ‘’.

Belgeon.

Saudades de Casa

Já faz cinco anos que estou longe de casa, os quais me fizeram percorrer três regiões do país e vivenciar situações que sem dúvidas nunca estive preparado. Não pretendo fazer um dossiê a respeito, até porque esse será um tema recorrente. Mas, dar uma pincelada a respeito do que vivo.

Nos últimos anos percebi um novo fenômeno nessas terras, o qual integro até hoje. Me parece que o acesso ao ensino superior engrossou o fluxo migratório de jovens adultos que deixam suas casas para ingressarem na faculdade. No meu caso, deixei a casa de meus pais no norte e me aventurei no nordeste.

Fevereiro de 2013, lembro bem o momento em que coloquei meus pés naquela cidade; era madrugada e tudo parecia infinitamente maior e mais agressivo do que realmente era. Pensei que ter amigos ao meu lado faria tudo ficar mais fácil ou menos difícil. Entretanto, minha estratégia de rpg não deu muito certo, afinal não haviam números que conseguissem derrubar aquele ‘boss’. Não sem o level correto.

Entre idas e vindas vamos ficando mais experientes e aquilo que antes pusera um medo paralisante, hoje parece um desafio a ser transposto. Não pretendo entrar em muitos detalhes nesse post em específico, afinal tenho plena consciência do que muitos vivem, estão por viver ou viveram essa situação. Aqueles que se identificaram, gostaria de mandar forças, afinal sempre tem um ou outro que torce por nosso fracasso.

Sinto que fugi bastante do tema do título. Mas, atualmente já terminei meu curso, depois de algumas muitas mudanças no meio do caminho, e ainda sigo longe de minha própria terra. O engraçado é que não me sinto mais ‘em casa’ na minha cidade natal, ou mesmo naquela em que vivi os últimos anos, que me forjou à ferro e fogo. Aparentemente meu novo desafio é reconstruir essa relação em uma nova cidade. Não faço ideia de como faze-lo, mas sigo em frente junto daqueles que conheci nesta caminhada.

 

Escrito ao som de: Chrono Cross – Abertura (PS1)