distanciamento.

Tem um tempo que venho me sentindo um pouco esquisito e há poucos minutos um amigo perguntou “está achando esquisito estar bem?” (rindo de nervoso), e fiquei me perguntando o porquê de sentir esse comichão esquisito em meus pensamentos, afinal as coisas estão bem, dentro do possível.

Claro, estar bem ou não é um questão de ponto de vista, e no fundo esse relato é sobre isso, mas gosto de tratar tudo como uma espécie de análise do distanciamento. Ao conversar com I. sobre esse texto e a idéias por trás dele, percebi o quando a distância se desdobrou em uma companheira fiel, querendo ou não.

Imagine um tabuleiro, como o de xadrez mesmo, e ali no meio existe um peão sozinho, vendo a sua frente os objetivos e a sua origem atrás, bem como os companheiros, os quais alguns irão trilhar um caminho parecido com o do peão, mas outros simplesmente escolhem outra rota, afinal o jogo é assim. Eventualmente vão se cruzar, mas no fim cada um toma uma rota e um destino. Inclua nessa análise torta a ideia da tomada de decisão, que por vezes é feita sob perspectiva e outras por puro oportunismo.

O ponto é que no fim das contas me vejo entre o antes e o depois, o que um dia fui e o que estou prestes a me tornar, levando comigo a esperança da inconstância, mas também o medo dela, afinal nada está tão ruim que não possa piorar, né?

No final das contas eu também não posso reclamar demais, afinal ainda tenho quem me de suporte, mesmo que poucos, bem como esse espaço para relatar aos que tenham paciência para ler, e às vezes consigo até um lugar para sentar no metrô durante o horário de pico.

É, poderia ser pior.

 

 

Escrito ao som de:

Anúncios

Bee Gees, chuva e a marola alheia.

Choveu o dia inteiro aqui na cidade sem amor e logo no meu dia de folga.

Bem, acabei dormindo até bem mais tarde do que deveria, mas consegui sair a tempo de resolver minhas pendências mais urgentes, como banco, contas e etc. I. me lembrou que agora sou adulto e tenho que lidar com isso.

Passei o dia pensando em uma cafeteria que estava afim de conhecer durante esse dia de pseudo descanso. Acabei levando chuva por umas boas horas enquanto desenrolava o meu rolê, para no final de tudo o mirante da 9 de julho estar fechado. Que vacilo! Pra completar fiquei preso por um tempo de baixo do MASP, enquanto esperava a chuva acalmar.

Findou que chamei um carro naquele famoso app de viagens e acabei indo para o meu “plano b” do café. Daí que veio a vontade de escrever. O dia estava meio bosta, mas cheguei aqui, sentei do lado de fora, afinal estava muito cheio na parte interna e me pus a observar o movimento da rua e pedir cafezinhos.

Enquanto tomava café e observava as pessoas passarem, bem como uma senhora interiorana, um colega mandou uma versão incompleta de um cover de Tragedy, do Bee Gees, e pediu minha opinião. Confesso que adoro essa música, mas nunca parei pra analisar ela de forma fria. Eis que chegamos a conclusão de que provavelmente a única coisa que faltava para ficar perfeito era o vocal rasgado do refrão e pré refrão. Estou muito ansioso para ver a versão definitiva G. ainda mais se você conseguir elaborar aquela arte para ser o visual.

Debruçado sob o celular, discutindo Bee Gees, tomando café e vendo as pessoas, comecei a perceber um cheiro peculiar no ar. Era aquela marola característica de um belo finicólico sendo carbonizado. Não sei a quanto tempo estava recebendo esse tipo de influência, mas nesse momento estou me sentindo um pouco engraçado, afinal não sou acostumado com essas coisas. Talvez seja o excesso de cafeína ou qualquer outra coisa, mas que estou me sentindo engraçado, isso estou.

I. está dizendo para eu postar uma foto da face no instagram, porque segundo ela, o equilíbrio entre fotos de comida e de meu rosto, está desproporcional. O fato é que não sei como tirar fotos do rosto, admito.

Tô pensando se pego ao quarto café ou se daqui me vou. Pois bem, até mais.

2017 + 1

2017 bateu com força pra caramba, espero que 2018 venha menos afoito.

Estava aqui, curtindo a preguiça no condado de meu q’uarto quando um colega veio perguntar sobre minhas resoluções para esse ano que se iniciou, bem como um apanhado dos principais pontos de virada desse ano maldito que se passou. Não sabia ao certo o que fazer, mas enquanto editava a Provinciana acabou aflorando uma certa vontade de falar através dos dedos, então eis que estou aqui, sentado em frente ao PC, pensando no rolezão que foi esse ano, enquanto Redbone toca ao fundo.

Não pretendo ser muito extenso, mas vale salientar o quanto comecei 2017 apreensivo, afinal estava voltando para a casa dos meus pais, no Pará, depois de quatro anos morando longe, no Rio Grande do Norte, e com um diploma de baixo do braço, mesmo que não fosse o que havia prometido conquistar durante a primeira despedida. Não sabia para onde correr ou mesmo o que fazer, afinal emprego está difícil, e eu não tinha grandes experiencias ou mesmo coragem suficiente para aceitar qualquer desafio de peito aberto, foco em “peito aberto”.

Em abril, depois de uma decisão tomada as pressas, decidi me mudar para o Distrito Federal. Fui morar com uma tia, mas logo arrumei meu próprio canto. Entre altos e baixos fiquei naquele lugar até o inicio de agosto. Posso resumir minha experiencia no DF em algumas palavras: ansiedade, descobertas, frustração e violência urbana. Vale ressaltar algumas outros por menores: arrumei emprego depois de cinco dias que cheguei a cidade, tive um chefe muito temperamental, relações familiares são difíceis e café com cozinha no final da tarde é uma ótima combinação.

Seguindo, em agosto me mudei a trabalho para o interior de Minas Gerais, e lá fiquei até o início de novembro. Analisando friamente foi o período mais sossegado desse ano, porém outros fatores que não eram o profissional estavam me enlouquecendo. Naquele lugar desenvolvi minha ansiedade de uma forma absurda, tanto que em algumas ocasiões as crises me deixavam com taquicardia e hiperventilação. Foi no cenário mais lindo que sofri os maiores danos pessoais. Bem, nesse período descobri a beleza de algumas cervejas e cafés daquela terra, além de queijos e doces maravilhosos. Foi engraçado ver uma cidade tão pequena e ao mesmo tempo tão rica e segura.

Novembro me trouxe a São Paulo, cidade da qual envio esse texto. No inicio do ano eu queria ter vindo a SP logo de cara, afinal eram daqui as empresas que sempre sonhei em trabalhar, entretanto precisou de uma verdadeira jornada para chegar a essas terras. O importante é que hoje trabalho em uma grande empresa e que até hoje engulo o choro quando levo esporro. Por aqui a comida é bem boa se souber onde procurar, e as pessoas tem um temperamento bem esquisito, ao qual acompanha uma facilidade para xingamentos. Nunca estive perto de tantas pessoas, mas ainda assim aqui é o lugar onde me sinto mais só. As crises de ansiedade vem com muita força dependendo dos acontecimentos e as dificuldades também são proporcionais ao tamanho dessa cidade, entretanto existe um certo encantamento nessas ruas, cafeterias e sotaque engraçado. Por enquanto eu vou segurado a barra.

Mesmo depois de tudo que já vivi durante esse ano, ou os outros quatro que morei no RN, ainda sinto muita saudades das coisas mais banais daquele lugar que chamo de casa. As vezes mudar tanto de cidades cria um certo desprendimento que dá a impressão que estamos ‘largados’ pelo mundo, o que não me faz muito bem.

Para 2018 eu não sei ao certo o que quero, até porque não acredito muito nessas resoluções, afinal para a maior parte das pessoas a vontade de faze-las cumprir se perde depois da segunda semana de janeiro. Em meu caso eu só queria um pouco de tranquilidade. Morar em uma só cidade, deixar a cabeça menos preocupada e ansiosa, trabalhar e parar de gerar preocupação para aqueles que se importam comigo.

Pois é, vamo aí.

 

Escrito ao som de:

 

Nada mal para uma quinta feira.

Acabo de chegar em casa. Só consegui tomar banho e fazer ago quente pra beber. Fiz questão de vir o mais rápido possível para o computador porque estou feliz. Para não parecer que minha vida é deprimente e etc, venho por meio deste explanar um pouco das razoes de minha felicidade.

Primeiramente acredito que estar feliz vem muito das pequenas coisas que deixam aquele gosto de quero mais, dito isso, vamos lá.

Geralmente prefiro escrever sobre felicidade, mas nos últimos tempos venho passando por momentos bem difíceis, e foi com esse pensamento que levantei, peguei o busão 775V – 10 e me pus a caminho do trampo. Reclamei o caminho inteiro no ouvido de I, que como de costume me escuta, apoia e incentiva sempre, mas mesmo assim cheguei em clima meio fúnebre ao trabalho.

Meu relógio de ponto está quebrado a três dias, o que já me parecia uma espécie de mau presságio, mas no final das contas, cheguei a confeitaria do restaurante que  humildemente exerço minhas funções. Logo de cara dois colegas de trabalho conversaram comigo e queriam saber como estava. Essas pequenas demonstrações de afeto me conquistam demais, sabe.

Bem, me coloquei a trabalhar e logo me peguei nadando, gíria de cozinha que usamos para designar aqueles que estão atolados em trabalho. Isso porque hoje iria rolar um evento para 850 pessoas na casa, o que estava me tirando o sono há alguns dias.

Depois de meu intervalo senti que o bicho ia pegar, afinal as coisas iriam acontecer a partir daquele momento. Tivemos um briefing e tudo foi alinhado. O evento começou e meu medo começou a passar, por mais que estivesse acelerando a cada minuto que passava. No final das contas não trabalhei menos que o de costume, na verdade trabalhei bem mais, mas a organização, atenção e principalmente medo de errar, fizeram dessa experiencia algo muito satisfatório.

O serviço foi entregue, não houve gritos, pressão muito menos dificuldades, só rolou trabalho duro e entregamos o que foi proposto. No final ainda tivemos um momento de alívio durante o serviço, onde o chef trouxe cerveja para todos e brindamos o sucesso de mais um evento.

Amanhã tem mais e certamente será muito mais complicado que hoje, mas tudo bem, estou feliz.

🙂

 

Escrito ao som de:

 

(a música é triste mas adoro ela)

A volta daquele que não foi.

Pois é amigos, voltei e agora talvez seja pra ficar! Ou não, vai que, né kkk

Bem, muita coisa mudou e estou vivendo um ciclo muito diferente em minha vida, e com isso pretendo retomar o blog, mesmo que à passos moderados, em comparação ao começo.

Fiquem com essa foto (capa) e uma música aqui que vem me acompanhando a um tempo nessas últimas madrugadas. Inclusive, atualmente tenho sentido que tenho o relógio biológico do Batman, mas isso é assunto para outro dia.

 

Escrito ao som de:

 

Cheiro de pizza, cerveja e a angustia.

Sinto uma espécie de comichão no peito e na cabeça, sinal que preciso escrever um pouco.

Confesso que está um final de tarda maravilhoso, posterior a uma tarde ensolarada e muito bonita aqui em Pinheiros, toca jazz ao fundo e minha cerveja acaba de levar o último gole. 

Não sinto vontade alguma de ir para casa, sabe. Lá é muito monótono e tem sido especialmente entristecedor nos últimos dias, o que chega a ser bem esquisito, dado a forma que enxergo o mundo. Talvez minha visão esteja ficando esverdeada e com marcas d’água.

Esse ano tem sido extremamente inconstante, com mais reviravoltas que novela mexicana. Não que eu esteja me fazendo de vítima, tenho completa noção de meus vacilos. Mas nem em meus maiores sonhos/pesadelos teria imaginado um desenrolar tão intenso. O mais curioso é que mesmo diante de bons presságios, me sinto um tanto quanto paralisado, com medo do ontem virar hoje, sabe.

Não dá pra viver com medo de ir pra frente, eu sei, também não quero dar um seminário motivacional a ninguém, então melhor deixar isso pra lá. Correndo o risco de ser muito repentino, acabou de bater uma puta vontade de escrever sobre café! (rindo). Bom, depois voltamos a conversar.

Acho que preciso de amigos que morem, ao menos, na mesma cidade que eu.

.

Escrito ao som: dos carros passando na rua e da música ambiente da Braz Elétrica.

Só o cheiro já me deixa ouriçado

Acabo de tirar o primeiro gole. Revigorante como sempre.

Ainda são 14:38, de uma terça feira, mas posso afirmar que o dia foi cansativo e gratificante. Nesse momento estou sentado em uma cafeteria bem gostosa, a qual conheci em meus primeiros momentos nessa cidade sem amor, mas, de certa forma, começo a entender a força motriz que impulsiona essa máquina de amor e ódio.

Confesso que comecei o dia levando um belo presente nos ombros de algum passarinho do parque Vila Lobos, sendo sinal de boa sorte ou não, só percebi o feito quando estava prestes a ser entrevistado por uma firma bem legal daqui. Bom, no fim das contas, tudo correu bem, mas ainda assim, as vezes tem que respirar fundo para não se surtar às 07:30 da manhã.

Meu café já está esfriando.

Clima doido o dessa cidade. Sinto como se a cada amanhecer São Pedro tirasse na sorte o humor meteorológico diário. Algo assim.

Tem umas gotas de chocolate ao lado, algumas até derreteram por conta do calor da xícara. Sem sentido, apesar do bom chocolate.

Mais cedo no metrô, cruzei com uma pessoa que tinha um piercing no dedo. Confesso que não resisti e mandei foto para alguns amigos. Desses, somente um respondeu,  grande companheiro de risadas nas noites frias e que me rendeu ótimas risadas enquanto almoçava. Um beijo Eugene Sirigueijo, cuida desse dedo, hein.

Bom, no momento estou decidindo se peço um expresso de despedida, ou se continuo ouvindo o lixo mainstream que infelizmente compõe o ambiente do lugar.

Reafirmo, hoje o dia foi especialmente gratificante.

 

Escrito ao som de: