Hoje

nesse momento respiro fundo e sento, como quem acabara de ter uma epifania.

Em uma nova situação, estou em uma velha cidade e levando as coisas sob um ponto de vista nunca vivenciado.

Aqueles que estão ao meu lado ainda são os mesmos de sempre, porém a distancia entre nós mudou.

Seja como for, a viagem ainda está aqui, presente.

 

 

tchau.

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É fácil acostumar com o que é bom; e ruim.

Como sempre demorei para escrever, e, as pautas  acumularam dentro do peito. Resultado disso é que agora os sentimentos se confundem com os movimentos dos dedos e a cabeça a mil.

Abri o editor de textos dessa plataforma em meio a muitas dúvidas, e, no epicentro de uma crise financeiro existencial, envolvendo minha vida, amigos e os olhares daqueles que tangem minhas escolhas, enquanto toca uma bandinha ali na aba do YouTube.

Tenho pra mim que venho de um contexto em onde o emergencialismo norteia todas as minhas decisões, o que é bem ruim, para o meu azar, afinal o único lugar em que alguém toma boas decisões de forma repentina é nos filmes mais melosos, e como depois dos 18 se descobre que ninguém é um personagem de comédia romântica, já vivo as angústias das decisões erradas.

Antes de dormir sempre me pergunto de onde veio esse tipo de impulso imediatista auto-sabotador, incrivelmente emocional e de nenhuma esperteza. Talvez seja por conta de pertencer a última geração que viveu sem a angústia da avalanche de informações que a internet traz, junto da minha criação em um núcleo urbano (o termo mais deprimente que existe para bairro), de cinco mil habitantes, no meio da floresta e sob o braço firme de uma potência do capital. Junto das promessas de que a meritocracia realmente norteia a sociedade, sendo minimamente justa e colocando todos em pé de uma igualdade embaçada.

Caros, qual o passe de mágica ou substância esclarecedora que vocês utilizam para aguentar essa realidade que compartilhamos? Sinceramente, existem momentos em que até o mais simples movimento se torna pesado e esquisito ao restante do contexto. Ultimamente tem sido fácil se acostumar com o que é bom, e mesmo com o que é péssimo, pelo simples fato de parecer menos doloroso não mexer naquela ferida em que o mundo inteiro faz questão de cutucar todos os dias e a todos os momentos.

Às vezes ainda preciso ouvir insinuações de que não me esforço o suficiente para resolver minhas próprias pendências. As pessoas não entendem que estou perdendo como o verdadeiro campeão que acredito ser. Afinal não existe razão para continuar me ferindo, tendo em vista que todo e qualquer aspecto de minha vida já faz isso de forma tão habilidosa.

Não perca seu tempo lendo isso como um simples lamento, mas sim como uma forma de falar comigo mesmo, afinal pretendo revisitar esse texto daqui a um certo tempo e fazer um balanço do quanto as coisas mudaram.

Até lá, esperem mais lamentos, situações constrangedoras e tragicômicas, narradas por esse que vos fala.

 

distanciamento.

Tem um tempo que venho me sentindo um pouco esquisito e há poucos minutos um amigo perguntou “está achando esquisito estar bem?” (rindo de nervoso), e fiquei me perguntando o porquê de sentir esse comichão esquisito em meus pensamentos, afinal as coisas estão bem, dentro do possível.

Claro, estar bem ou não é um questão de ponto de vista, e no fundo esse relato é sobre isso, mas gosto de tratar tudo como uma espécie de análise do distanciamento. Ao conversar com I. sobre esse texto e a idéias por trás dele, percebi o quando a distância se desdobrou em uma companheira fiel, querendo ou não.

Imagine um tabuleiro, como o de xadrez mesmo, e ali no meio existe um peão sozinho, vendo a sua frente os objetivos e a sua origem atrás, bem como os companheiros, os quais alguns irão trilhar um caminho parecido com o do peão, mas outros simplesmente escolhem outra rota, afinal o jogo é assim. Eventualmente vão se cruzar, mas no fim cada um toma uma rota e um destino. Inclua nessa análise torta a ideia da tomada de decisão, que por vezes é feita sob perspectiva e outras por puro oportunismo.

O ponto é que no fim das contas me vejo entre o antes e o depois, o que um dia fui e o que estou prestes a me tornar, levando comigo a esperança da inconstância, mas também o medo dela, afinal nada está tão ruim que não possa piorar, né?

No final das contas eu também não posso reclamar demais, afinal ainda tenho quem me de suporte, mesmo que poucos, bem como esse espaço para relatar aos que tenham paciência para ler, e às vezes consigo até um lugar para sentar no metrô durante o horário de pico.

É, poderia ser pior.

 

 

Escrito ao som de:

Brisa, mine e teimosia.

Diferente de muitos outros dias, hoje me sinto bem.

Já é corriqueiro começar um texto com esse dizer, mas ‘desde a última vez que vim a esse pequeno espaço, as coisas mudaram tanto’. Também pudera, não é a toa que mudei tanto nos últimos anos, sabe. Sinto uma especie de inquietude muito grande quando olho pra dentro do meu ser e me divido por camadas. Profissional, amorosa, social, física, regional…

Nos últimos tempos uma pessoa entrou em minha vida e acabou me fazendo sentir totalmente pleno com a camada amorosa que me faz parte de mim.

Sabe qual o mais irônico? ‘I.’ Aquela pequena é muito cabeça dura! Acreditam que ela está emburrada porque me recusei a fazer o que mandava? Hahaha adoro essas nossas briguinhas bobas, e sei que ela também gosta.

Quando enviar isso aqui pra ela mesma revisar, certamente vai começar a rir, afinal conheço bem a namorada que tenho. “E não meu amor, esse não é aquele texto enaltecendo todo seu esplendor, que me coagiu a fazer”.

Tem uma brisa tão gostosa entrando pela fresta da janela atrás de mim, lá fora o vizinho ouve um funk bem caricato, aqui dentro ouço “Mine – Bazzi”, e por mais que tenha se transformado em um meme sonoro, gosto bastante da batidinha e fluxo que essa música traz consigo.

(celular vibra)

Mensagem de I. retrucando o porque de ainda não ter feito o que ela mandou.

Respondo que estou escrevendo de bom grado e ouvindo música.

Ainda assim ela bate o pé.

Minha teimosa é uma peça.

Ah, vocês sabem que certamente vou sumir por um bom tempo, mas eventualmente acabarei aparecendo por aqui, até lá, vamos seguindo.

Ah, troquei de emprego e área de atuação, mas isso é conversa pra uma dia que eu estiver triste, por enquanto quero aproveitar a namorada que tenho e nossas brigas de mentirinha que me fazem rir pra caramba.

I, você me da forças.

 

Volto depois que me encontrar

Deve ser o terceiro rascunho que salvo e não dá em nada. Bem, não to com cabeça para escrever poesia ou algo mais profundo, sendo assim, estamos conversados.

Ultimamente tenho escrito em páginas que não deveriam existir. Apesar disso, me pergunto qual vai ser o próximo grande esquema em que vou me meter até o pescoço.

Não faz 10 minutos que I. me disse para não ser revoltado, e escrevo isso com um sorriso tão grande nos lábios, afinal sinto uma vontade imensa de gritar e espernear. É engraçado como algumas pessoas conseguem transmitir uma calma tão grande.

Ah, melhor encerrar esse texto por aqui, o café já não tem o mesmo gosto e I. está um tanto quanto inquieta, chamando em mais de uma rede social. Amo essa pequena.

Tchau, vou tentar não sumir totalmente.

Escrito ao som de:

O fim de tarde, café e bolo queimado.

Nos últimos tempos tenho frequentado muitas cafeterias aqui em SP, tanto que pensei em montar um blog somente à respeito, mas tendo em vista que mal levo esse aqui, deixei a idéia meio de lado.

O mais legal em frequentar esses ambientes, passa justamente pela ideia de conforto e intimismo. Sempre fui muito fechado, famigerado esquisito, na boca dos familiares. Então me sinto em casa nesses lugares calmos e cheio de bebidas que esquentam o peito, independente da temperatura.

Gosto muito do “boom” que rolou com o café nos últimos dois ou três anos, métodos de extração, cuidados, grãos, apetrechos e a expansão da cultura de forma geral. Para o afegão médio o que mais importa são os grãos e métodos, mas em meu caso o interesse está no ritual, logo medir a temperatura, espessura da moagem, torra, tipo de grão, cuidados já hora da extração e tempo de infusão prendem muito a minha atenção.

Outro aspecto bem interessante passa justamente pela ideia de valorizar o produtor, principalmente aquele que produz pouco, mas com alta qualidade. Talvez esse interesse venha por conta de meu pai, que tem fazenda e se dedica incessantemente àquele lugar. Então é como se assuntos relacionados ao campo me transportassem para perto dele. Não sou nenhum especialista do mercado de café para analisar o efeito que a expansão da cultura de cafés especiais tem influenciado a vida dos pequenos produtores, mas venhamos e convenhamos, de forma geral esse movimento trouxe bons frutos para quem se dedica a cultura do grão.

Frequento uma cafeteria que possui um cheiro muito característico. Revirando minhas memórias afetivas cheguei a conclusão que é cheiro de massa muito chocolatuda, levemente queimada, tipo aquela das bordas da forma, especialmente nos cantos e que tem um cheiro maravilhoso. Quando morava com meus pais, esse era o cheiro que o bolo mesclado de minha mãe soltava no ar. Sempre por volta das 17hs, acompanhado de uma garrafa de café, à luz do sol que alcançava a mesa do fundo de casa.

Música Indie, atendentes e baristas ostentando suas tattoos, sofás aconchegantes, meia iluminação, xícaras divertidas, pinturas naa paredes, minimalismo, doces ruins, máquinas de expresso que parecem um Transformer, ruído de bicos vaporizadores, prateleiras com jarras da hario, filtros e afins, expressos tônica, expressos, ristrettos, coados, chemex, aeropress, sifão, café da casa, mesas comunitárias e etc.

Enfim, vou terminar meu ventura e me vou.

Meu querido castelo

O relógio marca 06:06. Lembro de um tempo em que meus amigos e eu atribuíamos significados para horários de números repetidos. Chega a ser engraçado lembrar do que passou, afinal me sinto enclausurado no passado, tentando fugir para um futuro que me empurra para trás.

Hoje o meu castelo de papel foi atingido por uma forte chuva de frustração, o que me faz imaginar se não seria o caso de dar um ou três passos para trás. Observo as marcas em minhas mãos e parte de mim admite derrota. “Porque continuar com esse orgulho?” perguntaram-me hoje.

Não é orgulho, mas também é.

É difícil explicar, mas acredito que existe uma vontade profunda em se fazer o bem para aqueles que gostamos/admiramos, sendo assim, posso dizer que parte daí a minha persistência. É vontade de sorrir, meu amigo.

Ultimamente venho notado que demoro cada vez mais para dar o primeiro sorriso do dia e, as vezes, esse permanece escondido por mais de vinte/ trinta e tantas horas. Triste, porém necessário? Ainda não tenho essa resposta.

S, F, I, R, V, estou tentando.

J, D, G, as coisas andam meio turvas, é difícil não se deixar abater.

06:22 e continuo ouvindo músicas de jogos que nunca joguei, mas que representam muito bem o refúgio que um dia chamei de meu. Daquela caixa de sapatos cheia de fitas, aquelas 14”, controles japoneses.

Ontem vieram me perguntar, de um jeito bem estranho, como resolvo meus problemas, e isso me deu uma dor de cabeça. Bem, as cobranças continuam e querendo ou não preciso lidar, ou ao menos tentar. O remédio é muito mais amargo do que eu havia imaginado, talvez devesse ter me preparado de forma melhor.

O amanhã, que tecnicamente já é hoje, me aguarda voraz. Tenho que ir, ouvido?

 

 

 

06:50, tchau.